10/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 09/03/2010 às 20:34:34
Na marra
Requião ensaia o golpe de mão no PMDB nativo. Atiçou seus esquadristras para forçar a demissão coletiva da executiva do partido para que ele possa assumir a presidência e dar as cartas. Terá que defenestrar um autêntico peemedebista histórico, Waldyr Pugliesi, dos últimos remanescentes da geração que brigou contra a ditadura e fez do partido um símbolo de resistência ao autoritarismo e aos desmandos de governantes personalistas. Ora, pois, deu-se que Pugliesi terá que enfrentar nessa quadra a arbitrariedade dentro do partido se quiser ficar no cargo. Requião usa os métodos e expedientes mais condenáveis contra ele, inclusive a mobilização da esquerda funcionária para impor sua vontade. O pessoal do deixa-disso foi derrotado. A tropa de choque estará na sede do PMDB amanhã, às 18h30 para exigir a destituição de Pugliesi e de toda a executiva do PMDB. Assim, na mão grande e na base da borduna. Nada contra Pugliesi, diz Requião, com ar angelical. Ele explica aos mais íntimos que quer o cargo para usá-lo no tiroteio político que vai travar entre o dia 31 de março até a convenção. Depois vai à luta como candidato ao Senado. Pode ser que o destino do PMDB seja o desastre. É provável que das próximas eleições surja um quadro partidário muito diferente do atual. Se isso acontecer, não significará necessariamente um retrocesso. Outras forças reformistas talvez substituam com vantagem uma agremiação que não perdeu as suas características de frente enquanto perdia o objetivo de resistência ao arbítrio e à corrupção. O PMDB tem contribuído para facilitar a tarefa dos seus adversários. O comportamento de Requião nesse episódio só ajuda a compreender a verdadeira raiz ideológica do Duce do Canguiri, a de um populista periférico habituado ao mandonismo e que não pode ficar sem cargo e mordomia. É o Requião.
Dia da Mentira
O governador renunciará ao cargo no dia 31 de março e Pessuti assumirá no dia seguinte, 1.º de abril, Dia da Mentira. Mesmo relutante, terá que assumir nessa data, em sessão solene na Assembleia Legislativa, às 17h.
Peso de ouro
O governo do Paraná pode gastar quase R$ 300 mil em seis anos para pagar os salários dos policiais militares que farão a segurança particular de Requião, assim que ele deixar o cargo, como determina projeto de lei proposto na segunda-feira na Assembleia Legislativa.
Mordomias
A proposta prevê, além disso, pagamento das despesas com viagens, diárias e passagens dos seguranças para acompanhar o governador em qualquer lugar do Brasil e do exterior. O governo também ficaria obrigado a ceder automóveis para serem usados no serviço de proteção.
Extraoficial
O PSDB está preparando um grande evento, provavelmente no dia 22 próximo, para oficializar a candidatura do governador José Serra à Presidência da República. O objetivo é dar a largada extraoficial da candidatura de oposição ao governo federal. A formalização do nome de Serra só ocorrerá em junho, mês das convenções partidárias, segundo determina a Lei Eleitoral.
Licitação
Hoje será realizada na Urbs, às 14h, sessão pública para abertura de proposta técnica da licitação da operação do transporte coletivo urbano de Curitiba. Participam da concorrência os consórcios Pontual, Transbus e Pioneiro. A documentação dos licitantes foi entregue em sessão pública realizada no dia 25 de fevereiro.
Pão e terror
Agora o “terror” chegou ao pão nosso de cada dia. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, classificou ontem como “terrorismo” a ameaça da indústria panificadora de aumentar o preço do pão francês por conta da elevação, para 30%, do imposto sobre importação do trigo vindo dos Estados Unidos.
O DIA DO REQUIÃO
A um graduado interlocutor paranaense, que foi medir a temperatura política no primeiro gabinete, o presidente Lula deixou claro que está irritado, muito irritado, com o governador Roberto Requião e suas estripulias políticas, principalmente a última em que não deixou alternativa ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a não ser recorrer à Justiça para não passar recibo de ladrão.



















