09/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 08/03/2010 às 20:34:52

Prova dos nove

No exato instante em que o País mergulha em mais um debate político-eleitoral, Requião e sua corte meridional se preparam para deixar o governo desta satrapia. Saem com o mesmo discurso que entraram e que sempre vingou nas campanhas políticas nesta área úmida do planeta, o do moralismo chinfrim, de udenismo tardio e de boteco. O novo dragão da maldade de Requião é o ministro Paulo Bernardo, que ele acusa de lhe fazer proposta indecorosa há quatro anos, quando sugeria o superfaturamento de uma obra ferroviária. Para Requião, ocupante audaz da vaga de grande defensor da moralidade pública, é um convite à dança. O paradoxo é que ninguém mais que Requião encarna o desperdício, o esbanjamento, a leviandade, o abuso, o privilégio. Requião é a prova dos nove da mordomia elevada à enésima potência. A quintessência da irresponsabilidade em seu exercício indecoroso do nepotismo, pelo qual levou a parentela inteira a cargos em comissão no governo e ainda insiste em nomear o irmão mais novo, Maurício, conselheiro do Tribunal de Contas. Requião quer se eleger senador para garantir oito anos de imunidade. Ou seja, aspira o envelhecimento final tranquilo, sem ter de responder na Justiça a centenas de processos movidos contra ele. Para tanto, comporta-se mais uma vez como o Paganini da campanha, deslumbra a plateia com o som exclusivo, solitário, da diatribe antimarajás, antimaracutaias. A respeito de Requião já se desenhou o estupor, o espanto - o medo, até - dos analistas, a partir da dolorosa constatação de que ele encena o desastre da ideologia e se agiganta no vácuo partidário. Seria o estandarte do fracasso de todas as tentativas de se criar, entre o Equador e o Capricórnio, alguma forma de vida política aparentada com a contemporaneidade do mundo.

Morre Xavier

Faleceu na manhã desta segunda-feira, vítima de infarto, o médico Cláudio Murilo Xavier. Secretário de Saúde do governo do Paraná entre os anos de 2003 e 2007, Xavier tinha 49 anos e exercia atualmente a função de assessor especial do governador Roberto Requião.

Meganhas

A segurança de Roberto Requião é a única preocupação dos deputados do Paraná. Melhor, do ex-governador Roberto Requião, a quem dão presente de despedida: atendendo ordens do próprio, aprovam lei para que tenha quatro guarda-costas por nossa conta, pagos pelo seu, pelo meu, pelo nosso dinheiro, para quando sair do governo. Tem um detalhe, que os críticos gratuitos não veem: até hoje, os ex-governadores não tiveram guarda-costas. São todos gente da paz, vacinada contra raiva, de bem com a vida e o semelhante.

Quatro

Serão quatro seguranças para cada ex-governador. Ou seja, gente equivalente a duas companhias da Polícia Militar. Gente que podia estar fazendo segurança de presídio estará à disposição de Emílio Gomes, Jaime Canet, João Elísio Ferraz de Campos, Alvaro Dias, Mário Pereira, Jaime Lerner e Roberto Requião: 28 meganhas mais 28 meganhas para as folgas dos outros 28. Portanto, serão 56 seguranças para o erário pagar, vestir, armar, dar de comer e viajar para atender ex-governadores que nunca sentiram necessidade deles. Menos, é claro, o último, que parece ter medo da própria sombra.

Segura?

Segundo informações da Agência Estadual de Notícias, a operação Cidade Segura, lançada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública no dia 26 de fevereiro, resultou em uma queda de mais de 50% no número de mortes violentas em Curitiba e região metropolitana. O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, acredita que os números são positivos, pois neste fim de semana, segundo o Instituto Médico Legal (IML), foram mortas “apenas” 18 pessoas. Na semana passada foram 26.

O DIA DO REQUIÃO

Pasmem, senhores, Requião e sua trupe na área de segurança insistem em vender estatísticas que não conferem com a realidade. Agora, o Duce anuncia a operação Cidade Segura, lançada no dia 26 de fevereiro, e que segundo o próprio Requião já resultou em uma queda de mais de 50% no número de mortes violentas em Curitiba e região metropolitana. Desfaçatez desse tipo nunca antes se viu nesta República, diria Lula.

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