19/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 18/03/2010 às 21:04:54
Devagar com o andor
É primária e inconsistente a leitura feita por boa parte da imprensa a respeito dos números da corrida presidencial divulgados pelo Ibope essa semana. Analistas políticos foram à TV e ao rádio, gastaram tinta dos jornais e encheram páginas da internet para anunciar que estaria em curso o início de uma “catástrofe tucana”. A onda opinativa atenta para o fato de que José Serra (PSDB) caiu ao patamar de 35%, enquanto Dilma Rousseff (PT) já aparece com 30%. Euforias e depressões à parte, vale dizer que os dados não surpreendem. Muito ao contrário. O crescimento da petista era esperado por três razões: a primeira é que a ministra está em plena campanha eleitoral e corre o Brasil ao lado do presidente da República, enquanto Serra sequer entrou em campo. A segunda, e incontestável, é de que o PT, historicamente, possui um eleitorado cativo próximo aos 30% dos votos. A terceira - e mais importante - é de que a senhora Rousseff, por enquanto, ainda é um mistério, uma legítima desconhecida. Sabe-se que a titular da Casa Civil representa a continuidade, que é “a mulher de Lula”, mas pouca gente avaliou o seu currículo, o seu histórico, e tampouco teve condições de perceber que ela é ruim de televisão, péssima de palanque e não transmite qualquer simpatia. Por isso, o clima de “já ganhou” prolatado pelo petismo é prematuro e irreal. A parada promete ser duríssima. Nada está decidido. Em tempo: os reflexos disso serão sentidos diretamente aqui na província.
Tendências
Se não houver nenhuma mudança brusca, tal como desistências ou acidentes políticos, as parelhas já estão formadas no Paraná: Beto Richa (PSDB) caminhará ao lado de Serra, enquanto Osmar Dias (PDT) dividirá o palanque com Dilma. Orlando Pessuti (PMDB), se for esperto, estará ora cá, ora lá. No cenário de hoje, o maior favorecido é o candidato do PDT, embora Serra seja o favorito no Estado.
Peso
Importante ressaltar que, nesse ano, serão Beto, Osmar e Pessuti os protagonistas da disputa e, em torno deles, girará os principais episódios da eleição. Roberto Requião é um mero figurante.
Saiu ontem...
Os jornais publicaram a notícia de que o governador de Minas Gerais elevou a voz e criticou Lula e, ao mesmo tempo, inflou as virtudes de Serra. Demorou! Tal gesto apenas evidencia que Aécio Neves (PSDB) está próximo de topar a indicação para ser o candidato a vice-presidente na chapa tucana.
Aliás...
A coluna segue apostando que essa possibilidade é a mais provável de ocorrer, até porque configura o melhor destino eleitoral para o mineiro. Há 90% de chances que isso aconteça.
Regressiva
E enquanto o noticiário está voltado aos principais líderes do Estado, aumenta a escuridão do fim do mandato do atual ocupante do poder. A contar de hoje, faltam apenas 12 dias para que o Roberto deixe o Palácio das Araucárias e a Granja do Canguiri. O reloginho impiedosamente corre rápido.



















