18/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 17/03/2010 às 20:51:41
A trama da Assembleia
Não há dúvidas de que as denúncias contra a Assembleia Legislativa levantadas pelo jornal Gazeta do Povo são sérias, graves e precisam ser investigadas a fundo. Os atos ocultos que foram editados pela Casa são inadmissíveis em termos de administração pública. Outros desvios, idem. Até aqui, tudo certo. Mas, em meio ao mar de lama que escorre do parlamento, uma questão se sobressai: por que, às vésperas das convenções partidárias, isto vem a público? Parece óbvio que o veículo de comunicação denunciante não descobriu isso sozinho. Alguém deu as pistas. Quem? Qual pessoa ou força política está por trás disso? Pelos fatos divulgados, sabe-se que esse tipo de procedimento não é novo e vem de décadas. Então, por que somente agora houve o interesse em explodir a bomba? Vale ressaltar que o diretor da Assembleia, Abib Miguel, o Bibinho, é inexpressivo eleitoralmente, mas detém poderes excessivos para o cargo que ocupa. Então, que se responda de imediato: por que ele se mantém no posto de forma “perpétua”? E quem quer tirá-lo de lá em pleno ano eleitoral? Qual é o alvo maior a ser atingido?
Voz oficial
A declaração do presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus, de dizer que, agora, “doa a quem doer”, será feita uma apuração dos fatos configura-se uma ingenuidade imperdoável. Mas, pelo menos, ele falou. E os outros integrantes da mesa diretora? Será que ninguém sabia de nada? Nenhum deputado conhecia o que ocorria debaixo de seu nariz? Precisou a imprensa tomar a dianteira e explicitar o escândalo? Justus, se tiver alguma culpa, esta não é só dele. Os antecessores que sentaram à sua cadeira também devem justificações.
Caiu
Cogitava-se no DEM que Nelson Justus poderia ser alçado à condição de candidato a vice-governador na chapa de Beto Richa (PSDB). Tal hipótese desapareceu. Aqui acende a luz da suspeita: não seriam os desentendimentos políticos entre os próprios deputados a razão para que se tornasse público o que ocorre nos porões da Assembleia? Consta que um irritado parlamentar da situação, sem coragem de fazer a denúncia através da tribuna da Casa, foi quem municiou a reportagem.
De qualquer forma...
Vale a máxima do “antes tarde do que nunca”. A punição dos responsáveis e de seus mandantes é uma exigência da sociedade. A condenação maior (ou a absolvição) virá nas urnas. Aumentam as chances para os novos candidatos.
Inconsolável
Quem ficou triste com esses episódios foi Roberto Requião. Os fatos são tão relevantes que o tiraram de foco e roubaram-lhe a mídia. As luzes de sua ribalta foram endereçadas para outros personagens. O governador saiu do palco e assim vai até o final de seu agonizante governo.
Regressiva
A contar de hoje, são só 13 dias para o “Pedro I das Araucárias” deixar o trono. O ansioso Orlando Pessuti reclama que o tempo não anda. Mas o reloginho continua a girar...



















