17/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 16/03/2010 às 20:34:36
O chantagista
Uma das piores características do homem de baixo padrão, do falto de caráter, daquele que chafurda na lama, é a prática da chantagem. O dicionário Aurélio define de forma didática o que significa essa conduta: “É o ato de extorquir dinheiro, favores, ou vantagens a alguém sob a ameaça de revelações escandalosas ou secretas”. Pois é exatamente isso que Roberto Requião está fazendo com o presidente da República e com o Partido dos Trabalhadores. O governador promove o ataque a quem quiser ouvir: se Lula e o PT não apoiarem a candidatura de Orlando Pessuti ao governo do Estado e a dele própria ao Senado, o PMDB subirá no palanque do tucano José Serra. Ressalte-se que a intimidação não para por aí. O inquilino do Canguiri promete revelar “as maracutaias do Partido dos Trabalhadores”. Trata-se, portanto, de uma chantagem dupla. Contra Paulo Bernardo, sua excelência insinua que possui gravações que comprovam a história de superfaturamento em obras ferroviárias no Estado, mas não as apresenta, algo típico de seu estilo. Afinal, o que ele quer com isso? Simples: o governador em fim de mandato pretende colocar o ministro sob seu comando e, por vias reflexas, enfraquecer a candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado. Contra Lula, o gesto visa fustigar Dilma Rousseff. A atitude é exatamente igual ao esquema dos bandidos mais desclassificados. Que diferença há entre o modo de agir de Requião e o de Fernandinho Beira-Mar? Ou Marcola? Ou ainda de José Roberto Arruda?
Por fora
Apesar da empolgação e do discurso fácil, ninguém mais leva a sério os gritos do Mello e Silva. As suas promessas de retaliação não pegam mais, não tem idoneidade, não valem, tampouco assustam. Portanto, nem a sua minúscula audiência, seja na TV Educativa, seja no twitter, acredita em seu pronunciamento. Tudo o que sai da cabeça de Requião é tido como piada, chiste ou gozação.
Penal
No momento em que o governador do Estado fala que conhece os possíveis deslizes éticos do PT, mas não os comprova, ele incorre em crime de prevaricação. Como homem público, ele tem obrigação de enumerar os atos delituosos e cobrar a punição aos envolvidos. Mas o Roberto se cala. Ele faz a ameaça e aguarda os resultados de sua tentativa de extorsão política. O chefe do Executivo é leviano e não possui mais as mínimas credenciais para representar o povo trabalhador do Paraná, de alto nível ético, no Senado da República.
Ontem e hoje
Requião, nos primeiros anos de vida pública, conseguiu posicionar-se como um defensor da moralidade. Mas, com o tempo, deteriorou-se de tal forma que hoje ninguém mais o respeita. As vaias vão aumentar e os votos, de outrora tão sólidos, escoarão para seus concorrentes.
Regressiva
Faltam 14 dias para o incendiário e irresponsável governador entregar o posto.



















