09/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 08/03/2010 às 20:42:11

Medo do povo

O que está por trás do projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa e propõe a criação de um corpo de guarda-costas para Roberto Requião assim que ele deixar o governo? O texto diz que são quatro policiais militares - escolhidos pelo próprio ex-governador -que lhe darão segurança dia e noite. Em outras palavras: o homem irá aos restaurantes, ao cinema, ao shopping, à Boca Maldita, à casa dos parentes, às festas sociais, ao cabeleireiro, ao pedicure, ou qualquer lugar, sempre acompanhado de seguranças pagos com dinheiro público. É evidente que a proposta é anormal, visto que não existe precedente histórico de algo dessa natureza no Estado do Paraná. Os bons governantes saem do cargo e são sempre reverenciados pela população. Não há o que temer para quem deixa um legado de obras e realizações e, durante o período em que ocupou o poder, age amparado na ética, no respeito e na boa educação. A esses os agradecimentos são fartos. Agora, aquele que tem o rabo na ratoeira, a cobrança é inevitável. Requião, consciente de sua má conduta, despido do comando do executivo paranaense, se sente frágil para enfrentar as ruas. O projeto mostra que ele está com medo do povo e teme até agressões físicas. Os leões de chácara se prestarão a afugentar os que tenham a coragem de “dar de dedo” no mais fresco dos ex-governadores.

Absurdo

De acordo com o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), a autoria do projeto é do deputado Alexandre Curi (PMDB) que, ontem, envergonhado, evitou a imprensa. Portanto, não há dúvidas de que a ideia e a iniciativa partiram do próprio Palácio.

Justificativa


Romanelli, que também assinou a proposta, argumenta que Requião necessita de proteção policial porque tomou decisões que contrariam interesses de poderosos. Bobagem. Outros governadores também agiram assim e se satisfizeram com o escudo da própria população. Gente boa não é agredida.

Enquanto isso...

Os paranaenses queixam-se da falta de segurança. A Polícia Militar, com razão, alega que está sucateada e com baixo efetivo. Os números mais recentes da criminalidade mostram que 220 pessoas foram assassinadas em fevereiro na região metropolitana de Curitiba. Por isso, não é aceitável a ideia, nem raciocinando por absurdo, de tirar PMs das ruas para dar resguardo a um aflito ex-governador.

A lógica


Se Requião tivesse cumprido os seus deveres no exercício do cargo, se não tivesse arrumado uma quantidade fantástica de inimigos, estaria tranqüilo e o pânico não fruiria em seus poros. O temor do Mello e Silva é confissão de culpa. Vale o refrão popular: quem não deve, não teme.

Regressiva


Faltam 22 dias para vencer o prazo de permanência do covarde do Canguiri no governo. Descontados os domingos e um feriado, restam somente 18 dias. Já vai tarde.

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