27/11/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 26/11/2009 às 20:34:40
Proposta decente
Após os ataques que Roberto Requião disparou contra o dono deste jornal na “escolinha”, veio a reação mais correta que se poderia esperar de um homem com a história de Paulo Pimentel. Ontem, em entrevista à coluna, ele decidiu fazer um desafio ao atual governador. E foi firme: “O Requião me acusa de ter causado um prejuízo de R$ 36 milhões à Fundação Copel há cinco anos. É uma mentira. Esse fato foi investigado e acabou arquivado nas esferas administrativa e criminal. Mas eu quero dizer a ele que aceito um novo procedimento de apuração. Que investigue novamente. Quero que ele tente provar as leviandades que falou”, disparou. A declaração de Pimentel é uma bomba. O governador, sempre acostumado a difamar e caluniar os adversários sem maiores contestações, foi instado agora a deixar a gritaria e o descontrole de lado para efetivamente comportar-se de forma responsável. “Que ele repasse o que tem ao Ministério Público. Eu não tenho preocupação nenhuma, por isso quero a apuração. Quem tem medo de ser investigado é ele, não eu”. E Paulo foi além: “O meu passado me estimula a propor isso”. O desafio está posto. Resta saber se o inquilino do Canguiri terá coragem de fazê-lo.
Medroso
Tem razão o Paulo Pimentel quando afirma que Requião tem medo de promover investigações isentas quando as denúncias envolvem o seu governo ou a sua família. Ele evita até mesmo tocar no assunto. A verdade é que mais um dia se passou e o governador, novamente, fugiu de dar explicações sobre o escandaloso caso do terminal da Ponta do Félix, cujo o negócio de venda das ações teria sido intermediado pelo irmão dele, o Eduardo. Por que você não pede que o Ministério Público investigue e esclareça todo o procedimento, Requião? Por que o temor?
Mais!
O que leva sua excelência a evitar também a apuração sobre as denúncias de licitação dirigida para a aquisição da draga para o Porto de Paranaguá? O que o impede de determinar uma investigação profunda sobre o método de compra, uma vez que há a suspeita de que a máquina já teria sido previamente escolhida pelo mano Eduardo? Qual o problema de esclarecer o fato de que o dono do equipamento é o empresário greco-egípcio Georges Pantazis, proprietário da Interfabric Indústria e Comércio Ltda., que, durante o governo Lerner, deu calote no Estado ao vender (e não entregar) fardas à Polícia Militar? Por que o pânico, excelência?
No passado
Essa não é a primeira vez que o Roberto foge das evidências de falcatruas em vez de mandar apurá-las. Em setembro de 2007, o diretor técnico do porto de Paranaguá, Leopoldo Campos, apresentou um dossiê acusando diversas irregularidades administrativas. De acordo com ele, havia direcionamento e favorecimento a empresas privadas em licitações para obras e serviços no terminal. O governador chegou a receber no Palácio Iguaçu os documentos que comprovavam as suspeitas, mas ele sentou em cima. E demitiu o auxiliar.
Zero
O ex-assessor listou dez ações irregulares na gestão do “Vovó Naná”. Mas nada foi investigado. Será que o governador terá dignidade de pôr-se a prova como fez Pimentel? Aceitará o desafio?
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Fábio Campana
Patético
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