02/07/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 01/07/2009 às 21:05:54

Autêntica molecagem

Em um governo minimamente sério, um erro crasso como o que foi cometido pela polícia paranaense no chamado caso do Morro do Boi seria punido com rigor. Fosse Requião um administrador de verdade e não um fraco, os jornais de hoje estariam estampando na primeira página a manchete da demissão sumária do secretário da Segurança Pública, do chefe de polícia e do afastamento do delegado responsável pelo inquérito. Mas não. Sua excelência preferiu a estratégia do silêncio, como se o equívoco da investigação fosse algo aceitável, normal ou permitido. O fato é que, por culpa exclusiva do Estado, Juarez Ferreira Pinto, o primeiro acusado, já passou exatos 133 dias encarcerado e teve a imagem achincalhada pela própria polícia. Apesar de tudo isso, Luiz Fernando Delazari segue investido do poder de secretário.

Frouxo

A incapacidade em tomar o controle da situação fica ainda mais evidente quando Requião permite que o delegado do caso, Luiz Alberto Cartaxo Moura, siga insistindo na tese de que a polícia não errou. Um absurdo. O que o governo tenta escamotear é que a investigação foi falha e preguiçosa, uma vez que não havia uma única prova material que incriminasse Juarez. Todas as apurações se basearam apenas em reconhecimentos, como o feito pela própria vítima.

Aliás...

Não é preciso ser profissional em Direito Penal para saber que esse tipo de depoimento não pode embasar sozinho um indiciamento criminal.

Quieto

Até o fechamento dessa coluna, Delazari não havia se manifestado sobre o caso. Não surpreende. Tivesse ele a seriedade esperada, pediria para deixar a função imediatamente.

Todavia...


Se depender de Requião, o titular da pasta de Segurança não deixará o cargo. De jeito nenhum. Ambos são amigos leais e todo mundo sabe que o inquilino do Canguiri não pune os seus prediletos. Consta, inclusive, que o secretário poderá ocupar o posto de suplente na chapa da candidatura do Roberto ao Senado da República. Não é de se duvidar.

Para pensar


À época do crime do Morro do Boi, a polícia estava pressionada por não ter solucionado o caso da menina Rachel Genofre, de 9 anos, que foi encontrada morta dentro de uma mala na estação rodoferroviária de Curitiba. Era preciso, portanto, que o governo oferecesse uma resposta rápida à sociedade. Deu no que deu. Daí, o então acusado foi preso e sua imagem arranhada publicamente.

E essa?


Outro caso curioso aconteceu na semana passada, quando a defesa de Juarez Ferreira Pinto tentou que ele concedesse entrevista coletiva de dentro do cárcere, para se defender. A Justiça autorizou, mas a gestão de Requião negou a ordem. Agora, com os últimos acontecimentos, fica no ar um cheiro de suspeita.

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