02/09/2008 às 00:00:00 - Atualizado em 02/09/2008 às 06:47:05
Votos não. Rejeição, sim!
Político bom de serviço é Aécio Neves. Dono de um prestígio incontestável, o governador mineiro abraçou a campanha de Márcio Lacerda (PSB) à Prefeitura de Belo Horizonte. E aconteceu o inevitável: o candidato, que antes da campanha eleitoral começar tinha apenas 9% das intenções de voto, em duas semanas, saltou para 40%. Aécio foi à televisão e ao rádio pedir votos para o aliado e, de pronto, o fraco Lacerda explodiu e deve vencer a parada ainda no primeiro turno.
Perceba agora o que acontece em Curitiba: Roberto Requião abraçou a campanha de Carlos Moreira (PMDB) à Prefeitura. O governador apareceu ao lado do ex-reitor na Globo, no SBT, na Band, na Record, na Educativa, na CNT. Falou em todas as emissoras AM e FM da capital à exaustão. Espalhou adesivos e bandeiras pela cidade. O resultado: Moreira, que largou com 0% no Ibope, aos trancos e barrancos, chegou a 2%. Ao mesmo tempo, de acordo com o último levantamento, sua rejeição já alcançou 19%. A leitura do “fenômeno” é simples: sem votos, Requião só transfere rejeição. E a tendência é piorar.
Por tabela
Não é justo (e nem verídico) atribuir à pessoa de Moreira tamanha repulsa. O ex-reitor é um ilustre desconhecido do eleitorado e, portanto, nada fez para que, em números absolutos, mais de 200 mil curitibanos digam que não votarão nele de jeito nenhum. O índice de rejeição, embora atinja o candidato, está endereçado diretamente ao governador. Disso, não há dúvida.
Causas
São muitos os motivos para que Requião seja atualmente o pior cabo eleitoral do Paraná. A primeira e mais emblemática razão é o seu péssimo governo, que tem como marca a falta absoluta de realizações. Achar uma obra de grande porte na gestão requianista é o mesmo que procurar uma agulha no palheiro, só que, nesse caso, a agulha sequer existe.
Molenga
A sociedade também não engole a frouxidão ética do chefe do Executivo no combate à corrupção. Nenhuma das denúncias de ilegalidades foi verdadeiramente apurada e, por isso, ninguém foi punido. Hoje, a imagem de Requião é a da conivência com as falcatruas do governo.
Pior!
Do ponto de vista moral, o eleitor igualmente não suporta a política de proteção familiar imposta pelo governador, a começar pela pressão exercida sobre a base aliada na Assembléia Legislativa pela nomeação do irmão Maurício ao cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas. Não satisfeito, no ato mais descarado de nepotismo da história paranaense, ele burlou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e criou duas secretarias para manter empregados a mulher Maristela e o outro irmão, Eduardo, às custas do Estado. O asco da opinião pública pela atitude respinga em Moreira.
Tem mais
O ex-reitor também soma todo o ônus do comportamento belicoso de sua excelência, do não-cumprimento das ordens judiciais e da não-aceitação de suas farsas e teatros para tentar atingir os adversários. A credibilidade de Requião está no tacho.
Regressiva
A contar de hoje, faltam somente 19 meses para terminar o “Ciclo Requião”. Passa voando. E tchau e bênção.