12/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 11/03/2010 às 18:30:23

Mulher, cardiopatia e emoções

O contexto sociocultural da mulher nos últimos 50 anos teve influência decisiva na saúde. Até os anos 1980, o objetivo era o casamento e a família. Depois, a ida ao mercado de trabalho tornou-se imprescindível no orçamento familiar. A geração que conquistou a liberdade invadiu o mercado profissional e os redutos masculinos, no entanto, alcançou também um ônus implacável: uma exposição maior aos fatores de risco para doenças cardiovasculares.

A cardiologista Bianca Maria Prezepiorski, do Hospital Cardiológico Costantini, explica que hipertensão arterial, aumento do nível de gordura, tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse, diabetes, ansiedade, menopausa precoce e depressão passaram de esporádicos à rotina na saúde feminina. Em parte, devido ao acúmulo de funções domésticas, pessoais e profissionais que tanto sobrecarregam a mulher moderna. Tudo isso causa um impacto importante no coração físico.

Outra questão levantada pela especialista é a influência das emoções na saúde do coração. Ela afirma que apesar de sempre se suspeitar de que o estado emocional alterado, ansiedade excessiva e conflitos emocionais crônicos estivessem relacionados ao aumento das doenças cardíacas, hoje estudos científicos comprovam essa teoria. Assim, perfis compulsivos que apresentam tendência ao trabalho excessivo, estresse elevado, agenda repleta de compromissos e responsabilidades sem pausa para o descanso e o lazer e, por consequência, sem relaxamento, são vítimas fáceis para a doença no coração. "Somadas à alta carga de responsabilidade no âmbito familiar, doméstico e conjugal formam o ambiente perfeito para o colapso do corpo", alerta a cardiologista.

Uma das explicações para essa influência se dá porque o coração tem uma simbologia forte por denotar as emoções. Adoecer do coração implica movimento de sentimentos importantes, como amor, raiva, medo e ódio que acarretam repercussões marcantes na vida da mulher. Boa parte deles decorrentes da influência dos hormônios.

Segundo Bianca Prezepiorski, ao final do clico reprodutivo da mulher, há uma redução na síntese de estrogênio que gera reações emocionais significantes. Algumas encaram o período como de amadurecimento outras se sentem sempre descontentes. Ao envelhecer, é comum que a mulher se preocupe com a beleza física e quando se sente frágil e abalada emocionalmente, a manifestação de doenças cardiovasculares pode ser agravada. Por isso é importante manter uma boa estrutura psicológica para encarar as mudanças sofridas pelo corpo com o passar do tempo e viver com saúde.

As emoções negativas, como medo e ansiedade desencadeiam a cascata hormonal do estresse, entre elas, adrenalina e cortisol, que repercutem diretamente no sistema cardiovascular. Esse quadro aumenta a pressão arterial, a frequência cardíaca e a compulsão alimentar podendo resultar em graves problemas para o coração. A orientação da especialista é rigidez no controle desses fatores de risco e equilíbrio entre mente e emoções. "A arte de não adoecer é na verdade a de saber viver cada fase da vida desfrutando seus pontos positivos", completa a cardiologista.

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