05/09/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 04/09/2010 às 22:53:18

O problema é Hamilton

Seria injusto com Lewis Hamilton atribuir uma possível perda do título pela Red Bull apenas a erros dos rubrotaurinos. Portanto, que se diga desde já: caso isso aconteça, muito, uma enorme parte, de um eventual bicampeonato de Hamilton deve ser creditado a ele, não à incompetência dos adversários.

Webber e Vettel não têm sido tão desastrados quanto parece. Cometeram seus equívocos, sim, mas o problema maior de ambos é mesmo a forma de Lewis, um piloto quase impecável nesta temporada. Um piloto que além de tirar de seu carro até mais do que dá, é portador de um espírito de luta que enche os olhos de quem gosta de corridas.

A Red Bull fez 12 das 13 poles deste ano e tem o carro mais veloz do Mundial, isso parece mais do que óbvio. Só que transformar poles em vitórias nem sempre é tarefa tão simples. É preciso largar bem, administrar vantagens, fugir das confusões, ter um pouco de sorte. Com tal domínio nas classificações, o time anglo-austríaco venceu seis provas, contra cinco da McLaren.

Não se pode sequer dizer que a disputa interna entre Vettel e Webber tem trazido tanto prejuízo assim. Exceto pelo GP da Turquia, em que ambos se estranharam e entregaram uma dobradinha de presente para a McLaren, nas demais 12 corridas nada de muito excepcional aconteceu.

O campeonato está abertíssimo, ainda. Faltam seis etapas, e com 25 pontos para o vencedor em cada uma não dá para cravar nada. Claro que o resultado de Spa deixou Hamilton e Webber numa situação bem mais confortável em relação aos outros três candidatos que zeraram na Bélgica, mas é igualmente claro que o mesmo azar que tiveram Button, Alonso e Vettel pode acabar caindo na cabeça dos dois primeiros colocados na reta final do Mundial.

Para a Red Bull, o mais importante agora é manter a cabeça fria. A equipe sabe que deve perder em Monza, uma pista que não exige nenhum refinamento aerodinâmico de carro algum, justamente o ponto forte do RB6. Na Itália, McLaren, Ferrari e até a Force India serão adversários difíceis para a dupla VW. Nas demais etapas do campeonato, seus carros vão voltar a se impor pelas características dos circuitos.

É um jogo de xadrez, enfim. É preciso ter paciência, entender que perder um bispo agora pode significar ganhar uma rainha lá na frente, dosar a ansiedade, saber quando atacar e quando defender.

O problema é que há um Hamilton no meio do caminho. Guiando como nunca, mostrando que mesmo com um carro inferior dá para ganhar um campeonato. Prost em 1986, Senna em 1991, Schumacher em 1995, Raikkonen em 2007 são exemplos recentes de pilotos que já fizeram isso no passado. Lewis tem uma turminha boa em quem se inspirar.

Gente boa

Antonio dos Santos Neto era presidente da Federação Paraense de Automobilismo e é o atual vice da CBA. Foi preso em Belém acusado de fraudes em licitações na área da saúde. Está em boas mãos, o automobilismo brasileiro...

Morte aos 13

É inadmissível que crianças participem de corridas de motos. Peter Lenz, de 13 anos, morreu no último fim de semana em Indianápolis atropelado por um garoto de 12 anos na volta de apresentação de uma prova de 250 cc. Com essa idade, crianças não têm noção de perigo, não têm medo de nada, não têm constituição física para suportar quedas a velocidades altíssimas. É puro assassinato.

Coreia no telhado

Continuam atrasadíssimas as obras no circuito da Coreia do Sul, que recebe a F-1 pela primeira vez no dia 24 de outubro. A FIA vai fazer uma vistoria final no dia 21 de setembro, um mês antes da corrida, quando a praxe exige que tudo esteja pronto pelo menos 90 dias antes. Seria legal se fosse cancelada, e um país mais ligado ao automobilismo ganhasse a vaga. A França, por exemplo. Ou Portugal, que tem um autódromo estalando de novo no Algarve.

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