18/07/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 17/07/2010 às 22:42:23

A tática de Webber

Quem é este Mark Webber, afinal? É o grande nome da temporada 2010. E é incrível. Num campeonato que tem Alonso e Massa na Ferrari, um bicampeão e um vice, promessa de dupla explosiva; Hamilton e Button na McLaren, os dois últimos campeões, ingleses, vaidosos, o primeiro com antecedentes de enlouquecer companheiros de equipe, o segundo na condição de atual número 1 do planeta; Schumacher na Mercedes, o grande destruidor de recordes de volta, na histórica flecha de prata, sob o comando de Ross Brawn; e o nome da temporada é Webber, um australiano
desengonçado, de currículo pobre, apenas mais um num time cuja estrela solitária parecia ser Sebastian Vettel, o garoto-prodígio.

Pois Webber é o único que ganhou três corridas neste ano. Button e Hamilton tiveram um pequeno bate-rodas em Istambul e ficou nisso. Massa e Alonso têm tantos problemas na Ferrari que nem tempo para brigar entre eles encontram. E Schumacher tem como maior preocupação, hoje em dia, convencer o mundo de que fez bem em largar a vida boa da aposentadoria.

Sejamos honestos. Ninguém nunca deu uma pataca furada por Webber. Estreou na Minardi, caminho natural no fim dos anos 90 e início deste século, nada demais, nada de menos. Foi para a Jaguar e exceto por um treininho ou outro, mostrando certa velocidade em voltas lançadas, nunca empolgou demais. Teve o caráter questionado por Pizzonia quando o brasileiro deixou o time, mas as críticas caíram no vácuo, dada a desimportância dos personagens envolvidos.

Na Minardi, em 2002, fez dois pontinhos de um quinto lugar na estreia. Na Jaguar, 17 pontos em 2003 e 7 em 2004. Passou dois anos na Williams no mais absoluto anonimato, 36 pontos no primeiro ano, ainda com BMW, fazendo um pódio, pura obrigação, e 7 em 2006. No ano seguinte, apareceu na Red Bull como tapa-buraco, na prática voltando ao time que defendera anos antes com outro nome.

Um pódio, 10 pontos, e mais 21 em 2008, quando a Red Bull começou a ensaiar um crescimento que viraria realidade no ano seguinte. E foi quando ganhou sua primeira corrida, chorando ao rádio, mas nem sombra fez a Vettel, vice-campeão mundial e automaticamente eleito candidato ao título de 2010.

Só que Webber desembestou. Tudo encaixou, seus resultados passaram a incomodar o jovem alemão, e a mais improvável das rivalidades internas surgiu no horizonte da F-1. A ponto de, com sua postura de injustiçado - que, diga-se, faz sentido -, passar a arregimentar torcedores.
Andre Jung escreveu no site Grande Prêmio que Webber está usando toda sua experiência para aproveitar uma chance que lhe parece única de ser campeão mundial. Aos 33 anos de idade, sabe que pode ser mesmo a derradeira oportunidade, porque a aposta da Red Bull é clara em Vettel, mais novo, com muitas primaveras pela frente.

Sua tática, de início involuntária, é agora clara: desestabilizar Sebastian e forçar o time a tomar atitudes públicas que demonstrem não haver favorecimento a ninguém. Comprou uma briga dura, escolheu um caminho sem volta.

Está funcionando. Na batalha interna, está em vantagem diante da imaturidade de Vettel e da sinuca de bico em que colocou a Red Bull, submetida a o julgamento popular. Só que é bom ele avisar a McLaren. Hamilton e Button estão adorando tudo que está acontecendo. A cada piti de Vettel e a cada resposta com o sarcasmo australiano de Mark, como ele mesmo definiu suas alfinetadas radiofônicas, a dupla mclariana vai adiando as faíscas que, mais cedo ou mais tarde, vão começar a sair dos carros prateados.

warmup@warmup.com.br

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