17/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 16/03/2010 às 20:27:29

A solidariedade aos vizinhos e as urgências nacionais

Dilceu Sperafico

É bom saber da disposição do Brasil em auxiliar as nações amigas em dificuldades. É comovente acompanhar a preocupação de autoridades com coleta e remessa de donativos às populações estrangeiras atingidas por catástrofes, como vem acontecendo com o Haiti.

Nos primeiros 30 dias após o terremoto na região da capital haitiana de Porto Príncipe foram mais de 100 voos, com aeronaves levando até 14 toneladas de alimentos, água e medicamentos, além de diversas cargas de navios, com até 900 toneladas de produtos essenciais. Somente após o governo local dispensar esse tipo de auxílio, o Brasil anunciou a priorização ao apoio financeiro.

Em recente visita ao Haiti, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também ofereceu financiamento para hidrelétrica naquele país. Na mesma viagem, o presidente igualmente anunciou investimentos na modernização de porto de Cuba e do transporte público de San Salvador.

Consolidando sua liderança no continente, o Brasil tem se destacado na concessão de empréstimos para execução de projetos em território estrangeiro e até no perdão de dívidas de nações pobres, da América Latina e da África.

Tem ainda auxiliado na melhoria da infraestrutura e repassado tecnologias à Venezuela, Bolívia, Equador e outros países vizinhos. O Brasil tem sido tão solidário ao ponto de ceder sem maiores demandas, às pressões do Paraguai e Bolívia pela revisão de contratos em vigor, com aumento de preço de energia e gás natural adquiridos dos dois países.

No caso do Paraguai, aceitou renegociação apesar de haver bancado sozinho a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre os dois países. Além disso, anunciou novo investimento de US$ 55 milhões para a segunda ponte sobre o Rio Paraná, facilitando o escoamento da produção agrícola paraguaia rumo ao porto de Paranaguá.

Nas relações com a Argentina, o Brasil deixou de retaliar incontáveis medidas protecionistas, apesar de seu custo incluir a inviabilização da triticultura nacional, com todos os ônus dessa renúncia.

O Brasil tem sido tão generoso com países vizinhos ao ponto de criar a Universidade Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, destinando 50% das vagas para estudantes estrangeiros, apesar de implantar e manter sozinho a instituição.

Isso depois de haver concedido anistia a imigrantes ilegais que ingressaram no País nos últimos anos. Todas essas bondades, somadas à intenção de compra de aviões e equipamentos militares, no valor de bilhões de dólares, vêm rendendo elogios ao Brasil e prêmios ao presidente Lula, mas certamente os brasileiros querem mais.

Sem dúvida alguma, é alentador saber que o Brasil passou de devedor a credor do Fundo Monetário Internacional (FMI), além de se antecipar a pedidos de ajuda de outras nações também atingidas por catástrofes, como ocorreu em visita do presidente ao Chile, mas os brasileiros também esperam presteza semelhante.

É positivo acompanhar as boas ações com nações amigas, pois alimentam nossa esperança de que o poder público brasileiro está reunindo condições para também atender as necessidades internas, já que mesmo livre de grandes terremotos, o País sofre suas próprias calamidades.

No Oeste do Paraná, por exemplo, faltam segurança pública, rodovias, ferrovias e hidrovias para escoar a produção agropecuária, energia trifásica para a avicultura e sinal de telefonia celular para as famílias de agricultores, entre outras intervenções do governo brasileiro.

Dilceu Sperafico (PP-PR) é deputado federal.

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