02/09/2010 às 01:46:10 - Atualizado em 02/09/2010 às 01:46:29

Serra se movimenta

A matéria é do repórter Roger Pereira, na edição de domingo de O Estado: “O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, cumpriu agenda de campanha e gravou para o programa eleitoral ao lado do candidato ao governo do Paraná, Beto Richa, em Cascavel (oeste do Estado). Serra veio pela terceira vez, oficialmente em campanha, ao Paraná, na semana em que as pesquisas Ibope e Datafolha mostraram que o tucano perdeu para Dilma Rousseff (PT) a liderança que tinha no Sul do Brasil e no Paraná. A estratégia é retomar a dianteira no Estado, aproveitando o prestígio de Beto, que lidera as pesquisas para o governo com vantagem de até 17 pontos (segundo o Ibope). Apesar de a cúpula tucana não esconder a estratégia, Serra preferiu não comentar os números das últimas pesquisas de opinião e nem a fórmula como pretende reverter a desvantagem. “Eu não comento pesquisa. Não quero falar sobre bastidores, tititis e pesquisas, senão a entrevista vira só isso. As pessoas querem saber o que vamos fazer. Mais justiça social, mais segurança mais emprego, quero falar sobre nossas propostas’, disse”.

As fotos e as imagens de TV do encontro de José Serra e Beto Richa em Cascavel mostram um político em momento de extrema confiança e de ascensão (no caso, Beto) recebendo outro evidentemente preocupado, apesar de tentar aparentar serenidade (no caso, Serra). E um encontro que tem um perfil bem diferente de meses atrás - se antes, a candidatura de Serra à presidência da República foi um dos fatores que fez o PSDB decidir lançar um candidato próprio ao governo, hoje é Beto quem tenta transferir sua popularidade para o companheiro de partido.

Não se pode negar, entretanto, que José Serra está se movimentando. Em momento algum, pelo menos em público, ele demonstra o desespero que está tomando conta de seus aliados, principalmente dos partidos coligados (PPS e DEM, que estão prevendo fracassos retumbantes nos pleitos estaduais e na luta por vagas para a Câmara dos Deputados e para o Senado Federal). Fala de suas propostas, conversa com políticos de todos os estados e garante que está tudo bem, apesar das pesquisas apontarem uma vantagem retumbante da candidata petista Dilma Rousseff.

Serra terá que agir assim até os momentos capitais da campanha - os debates da TV Record e da TV Globo. São dois encontros diretos com Dilma Rousseff para que ele consiga enfim fazer o confronto de postura e de capacidade administrativa com a candidata rival. Por ora, ele vira refém da estratégia do PT, que vincula Dilma com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deixa isolado. Os debates permitirão ao candidato do PSDB partir para o cara a cara com a adversária, sem a “sombra” de Lula.

Enquanto isto não acontece, é obrigação de José Serra mostrar força - pelo menos externamente. E é nos estados em que o PSDB ainda lidera que ele precisa reforçar sua campanha. Será assim no Paraná, em Minas Gerais e em São Paulo, colégios eleitorais grandes e que ainda lhe dão uma certa vantagem. Terá que se associar com os dois principais nomes do tucanato neste pleito - Beto Richa e o ex-governador mineiro Aécio Neves - e precisará da ajuda deles para recuperar os pontos perdidos nos últimos meses.

Sim, porque mesmo podendo vencer Dilma nos debates, o que é uma situação bastante plausível, Serra precisa ter um mínimo de chance de pelo menos levar a disputa para o segundo turno. Caso não tenha, pouco adiantará suplantar a adversária nos debates da TV Record e da TV Globo.

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