29/07/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 28/07/2010 às 20:32:23
Os números diferentes
Vamos às informações. Primeiro, texto do jornal Folha de S. Paulo: “Na terceira semana oficial da campanha, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) seguem empatados na corrida presidencial. O tucano está com 37% contra 36% de Dilma, mostra o Datafolha. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23, com 10.905 entrevistas em todo o País. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. Na última pesquisa, de 30 de junho e 1º de julho, Serra havia registrado 39%, contra 37% de Dilma. Ambos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Marina Silva (PV) tinha 9% e agora foi a 10%”.
Agora, texto do jornal O Estado de S. Paulo: “Pesquisa realizada pelo instituto Vox Populi e encomendada pela Band mostra a candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, 8 pontos porcentuais à frente de seu principal adversário na disputa, José Serra (PSDB). Na primeira pesquisa de intenções de voto realizada após o início oficial da campanha eleitoral (6 de julho), Dilma aparece com 41% e Serra com 33%. A candidata Marina Silva, do PV, tem 8%, e os demais candidatos somaram 1%. O total de votos brancos e nulos é de 4% e 13% não sabem ou não responderam em quem vão votar. No cenário para segundo turno, Dilma venceria Serra por 46% a 38%. (...) A pesquisa foi realizada com 3.000 eleitores, entre os dias 17 e 20 de julho”.
E agora? Qual pesquisa retrata mais fielmente a realidade? Será que apenas a distância temporal (a do Vox Populi foi encerrada no dia em que o Datafolha foi às ruas) explica a diferença tão forte entre os números? Em uma, a do Vox Populi, a candidata do PT Dilma Rousseff fica à frente de José Serra, candidato do PSDB, inclusive sobrepujando a margem de erro. Em outra, a do Datafolha, não só há o chamado empate técnico, como nos números frios o tucano está à frente da petista.
É necessário colocar a questão temporal como componente realmente decisivo. Dez dias são sim importantes em uma avaliação eleitoral. Há exemplos extremos como a vitória de Jaime Lerner na disputa da prefeitura de Curitiba em 1988, mas há casos mais “realistas”, como a virada de Luiza Erundina sobre Paulo Maluf no mesmo ano, na eleição para prefeito de São Paulo. Ela chegou às vésperas da votação atrás, mas virou espetacularmente quando as urnas foram abertas. E como as pesquisas foram realizadas com uma semana de antecedência e depois na boca da urna, os institutos não captaram a mudança de tendência.
No caso da atual disputa presidencial, a análise conjunta dos dados e do calendário facilita a compreensão das diferenças dos resultados. Nos últimos dias, José Serra correu o interior do País e deu fortes declarações contra o PT e a candidata Dilma Rousseff. Também aconteceu o aumento da taxa básica de juros, atitude sempre antipática - apesar de necessária.
Mas ainda há quem possa dizer que é muito pouco tempo para haver uma diferença tão grande. Se posicionarmos os candidatos com suas margens de erro, os números se aproximam. Serra vai, no Datafolha, de 35% a 39%, e no Vox Populi de 31% a 35%. Dilma, no Datafolha, varia entre 34% e 38%, e no Vox Populi entre 39% e 43%. Neste momento, vê-se que a discrepância não é tão gigantesca como parece na primeira leitura das pesquisas.
E aí está a principal conclusão das pesquisas de intenção de voto para a presidência da República. Antes do início da propaganda eleitoral, a disputa está indefinida. Serra e Dilma se alternam na frente, e Marina Silva patina na sua intenção de criar a “terceira via”. Mas a presença maciça dos candidatos no rádio e na TV pode mudar essa história.



















