18/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 17/03/2010 às 20:17:06
A peregrinação de Marina
Ser candidato a presidente da República não é simples. Primeiro, é necessário ser filiado a um partido. Depois, é preciso ser uma liderança nacional deste partido. Mais tarde, é preciso ser escolhido em uma convenção - ou, quando é possível, ser “ungido” pelos líderes da sigla. E, garantido como candidato, chegará a hora de percorrer o Brasil para cabalar votos. Isso sem citar as obrigações legais estabelecidas pela Constituição.
Se simplesmente ser o candidato já é complicado, ganhar é ainda mais. Porque você precisa contar com um imponderável, que é a reação positiva à sua peregrinação. Também será necessário fazer alianças para garantir apoio e tempo no horário político da televisão e do rádio. Os programas terão que ser muito bons para atrair os eleitores. Tudo isso para que o candidato seja conhecido o suficiente e chegue ao segundo turno - e, na hora da decisão, vencer nas urnas.
A senadora Marina Silva (PV-AC) está no meio desta caminhada. A rigor, ainda está no início. O jornal O Globo acompanhou o dia-a-dia da “candidata verde” à presidência da República: “Há pouco mais de 35 dias usa e abusa da rede social twitter e do seu blog na internet para estabelecer as bases do seu relacionamento com o público - quase coloquial, mas próximo e sincero. Marina diz que a web é uma ferramenta para quem tem coerência política, e, com esse discurso, tem atraído seguidores. (...) A estratégia da senadora é o antimarketing. Convidada para estrear o programa novo do músico Lobão, o Lobotomia, na MTV, Marina se soltou e entrou na onda do apresentador que, na maioria das perguntas, alfinetava a petista Dilma Rousseff, criticando o que chamou de “marquetice empostada e canastrona, e simpatia postiça’. A acreana que veio do seringal explicou sua opção pelo visual seco. Enquanto Dilma e o tucano José Serra usam o palanque oficial para trabalhar suas pré-candidaturas, Marina tem desfilado por programas populares no rádio e televisão para se tornar conhecida. Além do Lobotomia, participou do Show da gente (SBT); entrevista com padre Fábio e o vereador Gabriel Chalita, o Chalita canta o amor, ambos da rede católica Canção Nova; Programa do Ratinho (SBT) e o É noticia, do jornalista Kennedy Alencar, na Rede TV!”.
Marina é, no momento, a terceira colocada nas pesquisas de intenção de voto - ou quarta, quando o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) está nas simulações. Está bem posicionada entre os eleitores das classes mais altas e com melhor escolaridade, mas certamente é pouco conhecida das massas. Mesmo sendo senadora e ex-ministra do Meio Ambiente em boa parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marina, que nunca foi de ficar se expondo, terá que entrar nesta roda-viva de programas televisivos para ficar mais “famosa”. É fundamental para que ela chegue no período de propaganda eleitoral com alguma chance de tumultuar o quadro sucessório e acabar com a polarização entre o governador paulista José Serra e a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff.
E a presença da senadora com chances reais de ao menos ir para o segundo turno seria muito interessante para a eleição presidencial. Permitiria um debate de propostas para o País, e não apenas a discussão plebiscitária que foi proposta por Lula, assumida por Dilma e que o PSDB parece que vai aceitar. Com Marina, petistas e tucanos vão precisar explicar o que pretendem fazer no futuro, e não comparar o que aconteceu no passado.
Além disso, Marina Silva é uma alternativa interessantíssima no cenário eleitoral. Ela está no meio do caminho entre os esquerdistas boquirrotos que pedem espaço em um pretenso governo Dilma ou os teóricos de mercado que circundam Serra. Com a “candidata verde” no meio da disputa, o pleito ganharia mais emoção, mais conteúdo - e, quem sabe, um perfil diferente. E melhor. O debate precisa esquentar para o bem do Brasil.



















