16/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 15/03/2010 às 20:18:31
Consagração e vergonha
Sexta-feira passada foi dia de mais uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Paraná. Esteve em Curitiba, Araucária, Londrina. Foi a empresas públicas e privadas. Fez discurso, no seu velho estilo. E deu até entrevista exclusiva a uma rádio local, a Banda B, do deputado estadual Luiz Carlos Martins (PDT).
Quem esteve com ele - ou pelo menos perto dele - pôde novamente comprovar o magnetismo de Lula. Se ainda alguém no Estado não acreditava na popularidade do presidente da República, teve uma prova viva na passagem dele por aqui. Na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) ou na Positivo Informática, ele foi saudado pelos funcionários de todos os níveis, do chão da fábrica aos gerentes de setor. Passou longo tempo dando autógrafos nos cadernos e nos macacões dos operários. E, tenham certeza, eles vão guardar a assinatura de Lula como se fosse de um ídolo da música ou do futebol, talvez nunca mais lavando aquele traje para eternizar o momento.
Os políticos sabem disso, e estão cada vez mais grudados em Lula. Como se fosse extensão do corpo do presidente, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ainda pré-candidata do PT à presidência na eleição de outubro. Ela está sempre ao lado, aparecendo em todas as fotos, e transformando as visitas oficiais em descarada campanha. Em Curitiba, todo mundo estava perto: o governador Roberto Requião, o senador Osmar Dias, a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, o ministro do Planejamento Paulo Bernardo, o vice-governador Orlando Pessuti, o prefeito de Curitiba Beto Richa e outros menos votados.
E enquanto Lula era mais uma vez consagrado, havia um político que novamente passava vergonha. Os repórteres Roger Pereira e Elizabete Castro contaram na edição de O Estado: “Ao mesmo tempo em que o presidente Lula deu show de popularidade na visita ao Paraná, sendo aplaudido, tendo o nome cantado e passando cerca de 15 minutos dando autógrafos nos uniformes dos petroleiros da Repar, o governador Roberto Requião (PMDB) não foi tão bem recebido pelos trabalhadores da refinaria, que ensaiaram uma vaia quando seu nome foi chamado. “Como um defensor da visão nacional e dos trabalhadores, não compreendi a ridícula vaia com que alguns palhaços tentaram agredir no começo da minha intervenção. Eu sou um quadro eleitoral extremamente franco, não faço política com demagogia e levo às últimas consequências o que digo e o que faço. A última coisa que esperaria na minha vida era uma manifestação como essa numa assembleia de trabalhadores de uma empresa nacional como a Petrobras’, discursou Requião após a vaia”.
Interessante, como sempre, o governador Requião. Em outras oportunidades, em outros eventos, outros políticos foram vaiados. É da vida, é da função pública. Ninguém, nem mesmo Lula, consegue ser uma unanimidade. Pelé, o maior jogador de futebol da história, símbolo maior da excelência do brasileiro, é muito criticado por aqui. Elis Regina, a maior cantora que já tivemos, nunca conseguiu ser a preferida de todos. E não é Requião, que não tem o carisma de Lula, nem a excelência de Pelé e muito menos o brilho de Elis, que iria ser o cidadão mais adorado do Estado.
Para completar, seu governo vem sendo uma sucessão de trapalhadas, principalmente nos últimos três anos, com problemas na educação, na saúde e na segurança. Mas, mesmo assim, talvez por estar cercado de áulicos que só sabem elogiá-lo, Requião não consegue admitir as vaias. Aí, com toda a elegância que Deus lhe deu, ele xinga os manifestantes e diz que é tudo orquestrado. Uma pergunta impertinente: se as vaias são “inventadas”, os aplausos ao governador também não seriam?



















