11/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 10/03/2010 às 20:18:15

É hora de começar

A semana que passou escancarou a dificuldade que o PSDB, o principal partido brasileiro de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem em se decidir. A sigla, que tem como praxe ficar quase sempre “encima do muro”, não desceu ainda para colocar a campanha presidencial na rua. Até agora, o que há é um pretenso candidato que não se manifesta, um sonhado vice que não quer saber da vaga e vários partidos-satélites querendo saber o que é que vai acontecer.

O candidato recluso é o governador de São Paulo, José Serra. De líder absoluto nas pesquisas, ele passou a ser acossado pela candidata de Lula, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que deve inclusive aparecer na frente nas próximas aferições de intenção de voto dos brasileiros. E a impressão que Serra passa é que cada resultado negativo o afasta ainda mais do interesse de disputar a eleição de 3 de outubro. Mas, ao mesmo tempo, não dá nenhuma mostra de que isso é verdade. O resultado é uma indefinição que só prejudica a vida dos tucanos.

O vice que não quer saber da vaga é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Usando dos artifícios que eternizaram o seu avô, o presidente Tancredo Neves, ele tenta indicar que “Minas está pedindo” que ele seja o candidato do PSDB à presidência. Só que 2010 não é 1984, e nem Minas de 2010 (onde até Dilma se insinua) é a Minas de 1984 (quando havia, a rigor, apenas Tancredo e o então vice-presidente Aureliano Chaves). Aécio não conseguiu emplacar seu nome em todo o País, apesar de ser muito popular em seu estado. Até por conta disso, seria um candidato a vice perfeito para Serra, mas ele não admite sequer ser questionado sobre o assunto.

Os partidos desesperados são DEM, PPS e outras siglas que vão acompanhar o PSDB na campanha. Os democratas vivem um inferno astral, graças às denúncias de corrupção que assolaram seu único governador (José Roberto Arruda, de Brasília, que já deixou o partido). Os socialistas ainda não acharam seu caminho, e contam com a liderança tucana para definir a rota em todo o País - incluindo, claro, as potenciais alianças em estados importantes, como o próprio Paraná.

O que o PSDB precisa é colocar de vez o bloco na rua. O jornal O Globo, em sua edição do último fim de semana, publicou matéria sobre o assunto - e deu certo alento aos apoiadores de Serra: “No Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, a ordem é manter silêncio sobre as estratégias e a equipe que comandará a campanha do governador José Serra à presidência. Mas líderes do PSDB, até numa tentativa de pressionar Serra a anunciar logo sua candidatura, já confirmam nomes que deverão estar à frente da campanha. Tucanos do comando do partido admitem, porém, que o PSDB ainda está muito longe de montar estrutura tão grande como a já preparada pelo PT para a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) é um dos que estarão na articulação, ao lado do deputado Jutahy Magalhães (BA) e de Andrea Matarazzo, este hoje um dos mais próximos do governador”.

Sinal de que, se Serra ainda reluta, o partido resolveu começar a preparação, mesmo que pareça ser à revelia do candidato. O que os tucanos não podem é ficar parados esperando pela decisão do governador paulista. Se ele será o postulante à presidência, que os eleitores fiquem logo sabendo, para poderem comparar as biografias e o trabalho dele e de Dilma. E se ele não se animar, principalmente com o possível resultado das pesquisas que virão, que o PSDB comece a pensar em um plano B para a eleição.

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