09/02/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 08/02/2010 às 20:34:57

Reviravolta ou tática?

Ontem seria o dia do anúncio do pré-candidato do PSDB ao governo do Paraná. Estava tudo certo, os postulantes Beto Richa (prefeito de Curitiba) e Alvaro Dias (senador) preparados, os integrantes do diretório estadual avisados. Mas, como a primeira frase deste texto indica, “seria” o dia. Não foi porque na noite de sexta-feira houve o cancelamento da reunião dos tucanos.

Os motivos estão na matéria do repórter Roger Pereira, na edição de domingo de O Estado: “A possibilidade de um acordo entre os dois pré-candidatos, evitando a necessidade, e o desgaste, de que a definição ocorra por votação do diretório, foi o motivo alegado pelo presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, para o cancelamento da reunião do diretório estadual (...). Na reunião, Rossoni pretendia levar à votação os dois nomes do partido - o prefeito de Curitiba, Beto Richa e o senador Alvaro Dias para a disputa do governo do Estado. A intenção era definir o candidato tucano nesta segunda-feira. “Em virtude do entendimento entre os dois pré-candidatos do PSDB a governador, Beto Richa e Alvaro Dias, que deverá ser concluído na próxima semana, a direção do partido comunica que está cancelada a reunião do diretório regional que estava prevista para segunda-feira, dia 8 de fevereiro’, diz nota emitida pela direção do PSDB. “O entendimento entre os dois avançou bastante, não vale a pena atravessar o processo. Um acordo deve ser consumado na semana que vem, se não ocorrer, marcamos novamente a reunião de diretório e o partido decide o nome’, explicou Rossoni. A decisão foi tomada na noite de sexta-feira, coincidentemente após reunião entre os dois pré-candidatos e o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra”.

A dúvida está em entender o que aconteceu. Para alguns, pode representar uma possível reviravolta, pois a pesquisa do Instituto Vox Populi apontou números favoráveis ao senador Alvaro Dias - tanto na comparação com o prefeito Beto Richa, quanto com o candidato do PDT, o senador Osmar Dias. Além disso, ainda há o simbólico acordo que evitaria que os irmãos Dias disputassem o mesmo posto. Assim, implodiria o possível, e já em estágio adiantado de formalização, acordo entre Osmar Dias e o PT, que formaria o palanque estadual para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata petista à presidência da República.

Mas, para outros analistas políticos, o que aconteceu foi apenas uma estratégia do PSDB - tanto de Valdir Rossoni, deputado estadual e presidente do partido no Paraná, quanto do senador Sérgio Guerra, presidente nacional da legenda. No Estado, a ideia é permitir o entendimento entre Beto e Alvaro sem a necessidade de colocar a decisão sobre o candidato ao governo em votação, o que deixaria evidente uma cisão entre os principais nomes tucanos. Não é nada positivo iniciar uma caminhada eleitoral com uma demonstração pública de desunião. Os próprios tucanos são exemplos disso: em 2002, a eleição presidencial teve disputa renhida entre José Serra e Tasso Jereissati; quatro anos depois, Geraldo Alckmin impôs seu nome e não teve o apoio irrestrito de Serra.

No âmbito nacional, preocupados com a subida de Dilma nas últimas pesquisas, os líderes tucanos vão apostar em candidatos carismáticos na eleição para impulsionar José Serra - e hoje o mais carismático no Estado é o prefeito de Curitiba, pela popularidade e (aí não há o que discutir) pela expressiva votação que teve quando foi reeleito prefeito, em 2008.

Alvaro sabe disso, Beto sabe disso, Rossoni sabe disso e Sérgio Guerra também sabe disso. Cabe agora ao PSDB saber coordenar esta situação e, ao final, mostrar que saiu dela inteiro, sem fraturas, e pronto para encarar a longa disputa da eleição de 3 de outubro.

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