03/07/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 02/07/2009 às 20:20:10

A reação dos deputados

Depois de dias de trocas de acusações, bate-boca e alguns momentos de extrema infelicidade, os deputados estaduais do PSDB decidiram na tarde de quarta-feira romper com o governo do Estado. O posicionamento da cúpula tucana no Paraná é claro: ou os apelidados de “tucanos de bico vermelho” (aqueles que têm cargos no governo do peemedebista Roberto Requião) deixam seus postos ou serão expulsos do partido - quer dizer, não terão legenda para disputar as eleições de 2010.

A reação do PSDB veio depois do tiroteio de aliados do governo estadual, tendo como alvo exclusivo o prefeito de Curitiba, Beto Richa. O auge foi a série de acusações feitas em um programa da TV Paraná Educativa, inclusive com a presença do deputado estadual Fábio Camargo (PTB) - que teve também ásperas discussões com seus colegas tucanos Ademar Traiano e Valdir Rossoni. O que foi dito no programa irritou tanto que o PSDB vai processar Camargo, o apresentador e a própria TV estatal.

A reação dos deputados é natural, e talvez tenha até demorado. Com uma postura muito agressiva de oposição ao governo estadual, era de se estranhar que ainda havia tucanos aliados de Roberto Requião. Sem qualquer análise ideológica, só mirando o caráter político, como você vai trabalhar com aquele que é o contrário do que pensa? É o que representa, para um filiado ao PSDB, estar ligado ao governo peemedebista no Paraná.

Se os dois partidos se cruzam historicamente, mas que estão se afastando gradualmente em todo o País - e isto fica claro na atual crise do Senado. Em nosso Estado, o distanciamento é maior, e não é recente, começa na fundação do PSDB e na cisão entre o grupo de José Richa e Maurício Fruet e o de Alvaro Dias e Roberto Requião. Hoje, Beto Richa (filho de José Richa), Gustavo Fruet (filho de Maurício) e Alvaro estão juntos, mas cada vez mais afastados.

Requião está longe de todos, apesar de tentar uma reaproximação com Alvaro. E é isso, apesar de evidente, que foi reforçado pela cúpula do PSDB na quarta-feira. Resta esperar para saber se os tucanos do governo estadual vão mostrar se preferem o partido ou o poder.

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