26/04/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 26/04/2010 às 14:55:04

Audiência Pública

Em 1998, relevou-se o alcance da Lei Pelé, tratando-a apenas como a declaração do fim do último senhorio que existia no Brasil, que era o do clube. O resultado dessa omissão arrasou o futebol brasileiro.

Desorganizados para enfrentar um sistema vulnerável para toda a espécie de conluio, os clubes empobreceram. Submissos, passaram a ser reféns de grupos empresariais, que bancam contratações e renovações, usando tradicionais instituições, sem correr o mínimo risco de perda.

Trato desse tema, porque está no Senado, a reforma da Lei Pelé. Mais importante, porque o seu relator é o paranaense Alvaro Dias, um dos raríssimos políticos que enfrentou o sistema de conveniência do futebol brasileiro.

Hoje, às 10h, na sede da OAB, de Curitiba, Alvaro comandará a audiência pública sobre a reforma da lei. Por ser na sede da OAB, não significa que o objetivo é colher referências jurídicas. Essas estão associadas a importância que a reforma significa para o esporte, e em especial para o futebol brasileiro. É obrigação de todos os jornalistas comparecerem e participarem dos debates, porque o aspecto esportivo da lei sobrepõe o jurídico. Ele apenas regulamenta aquele. Além do mais, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto cheio de deficiências, mantendo disposições genéricas, que continuam a estimular litígios entre atletas e associações.

Tão cedo não haverá uma nova reforma.

Se o senador Alvaro usar a sua intransigência revelada contra o sistema, na CPI do futebol, será o responsável por matar o monstro que devora os clubes do futebol brasileiro.

Final

O Coritiba não foi apenas campeão do Paraná de 2010. Mas o foi com uma diferença de oito pontos em relação ao Atlético, o vice. O fato não prova a condição coxa para a segunda divisão, mas a absoluta fragilidade do Furacão para disputar a primeira. Ontem contra o fraco Iraty, na Arena, o Atlético usou um time misto, que mostrou a absoluta falta de opções para repor titulares, já de qualidade duvidosa.

Mas nesse final, da mesma forma que os coxas provaram o poder de reconstrução, o Paraná materializou a ideia de que virou um time pequeno. Já não é mais nem o terceiro do futebol paranaense. Em 2008, foi quarto e em 2009 foi quinto, e este ano voltou a ser quarto.

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