18/03/2010 às 01:58:17 - Atualizado em 18/03/2010 às 01:58:29

Direitos

A notícia da semana é velha, mas a irresponsabilidade da diretoria do Paraná trata de sempre atualizá-la: em Vila Capanema, as chuteiras foram enfileiradas, sem irem a campo, em sinal de protesto dos jogadores por não receberem salários e prêmios, e por solidariedade aos funcionários, que em 2010, ainda não tinham visto a cor do dinheiro.

O direito à greve é uma previsão constitucional. Direito do empregado para regular as relações com a classe patronal.

Nos países democráticos substituiu a solução pela violência, retratada no filme “Sindicato de Ladrões”, que consagrou Marlon Brando, ainda menino, como um dos maiores astros do cinema de todos os tempos.

No futebol esse direito raramente foi e é exercido.

Há um motivo em especial: o jogador de futebol no Brasil, em geral, em razão de sua origem nas comunidades pobres, se torna voluntariamente submisso ao dirigente. Esse é o primeiro engano da cultura do jogador: pobre ou humilde não deve ficar submisso, em especial, se há um direito violado.

Há uma outra razão, mais grave: as entidades da classe, associações e sindicatos, por se transformarem em instrumentos para seus dirigentes fazerem fortunas, desviaram-se do objetivo social que era pregar e defender os interesses coletivos da classe.

Se essas entidades enfrentassem o grave problema do atraso de salário, não haveria mais o constrangimento que causa o exercício do direito de greve ao próprio empregado. Bastaria adotar o modelo europeu, centrado na legislação esportivo-trabalhista italiana, que condiciona a inscrição do clube para jogar as competições da temporada com a prova da quitação de todas as obrigações com seus jogadores da temporada anterior.

Mas sindicatos e associações, voluntariamente ou não, em conluio com os clubes, não enfrentam o problema, transferindo a iniciativa para o jogador, que então, tem que se expor ao desgaste, mesmo exercendo um direito.

Escrevi que o jogador é quem fica constrangido em ser obrigado a tomar essa atitude. Quem deveria ficar é o dirigente que não paga. Mas a maioria dessa classe no futebol brasileiro perdeu a vergonha. Por aqui os dirigentes do Paraná adotaram essa cultura, sempre com a desculpa de que não há dinheiro.

Se não há como pagar, então por que insistir em dever?

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