12/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 11/03/2010 às 23:34:19
Golpe jurídico
Não há o que comemorar.
Reduziu-se a pena em 2/3, de 30 para 10 jogos. Mas considerando que a pena anterior foi um arranjo, uma utopia jurídica, o STJD criou uma armadilha, e o Coritiba caiu nela: adotou o novo Código, fez de conta que reduziu a pena anterior, e aplicou a pena máxima de 10 jogos.
O resultado visto sob o aspecto jurídico, cria a ideia de vitória. Falsa ideia, porque ao se adotar o novo Código, a aplicação de dez jogos era a consequência lógica pela infração aceita da denúncia. Não poderia ser maior.
Há lógica, portanto: se a pena limite era 10 jogos, não se considerou provas e argumentos da defesa. Tanto é verdade, que um dos votos foi para a suspensão de 9 jogos.
Embora o aspecto jurídico seja irrelevante para o torcedor, entendo que deve ser analisado publicamente, porque ao ter desprezado todas as provas e argumentos, o Coritiba ganhou o direito de revisão no STJD.
A questão, também, e mais importante, é saber o exato significado da perda de 10 mandos, em um campeonato, em que os fatores campo e torcida são decisivos. É o próprio Coxa que ilustra essa situação. Atribui-se a perda do mando contra o Santos, obrigando-se a jogar em Cascavel onde foi derrotado (1x0), uma das causas do rebaixamento.
O que significa jogar 10 vezes fora do seu ambiente em campeonato de pau e pedra, como é a Segundona?
É uma perda quase irreparável. Confundem-se os aspectos técnicos e financeiros, porque a renda de bilheteria ampara qualquer time de apelo popular, como é o Coritiba. Em especial na segunda divisão, quando os direitos de televisão são cortados em 50%. Isso repercute diretamente no aspecto técnico, na medida em que essas privações para dirigentes responsáveis (é o caso de Vilson), impedem gastos racionalmente não suportáveis.
Jogar em campo paranaense não é a mesma coisa que jogar no campo do Couto Pereira. Qualquer cidade, por mais artifícios que se usem para medir 100 quilômetros (lembro de Paranaguá), não oferece um ambiente caseiro, paterno, e solidário. Pior ainda no Paraná, que o prestígio dos grandes, Coritiba e Atlético, não passa dos limites de uma ponte.
Bem por isso concluiu o dr. Vilson Ribeiro de Andrade, o único dirigente lúcido do Coritiba: “Agora vamos juntar os cacos e ver o que faremos”.



















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