10/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 09/03/2010 às 23:06:45
Sonhos
Se a diretoria do Atlético não tinha um motivo objetivo para demitir Antonio Lopes, passou a tê-lo: ao se rebelar contra a demissão, o treinador provou que ainda não estava convencido da falta de padrão de jogo, ou no mínimo da perspectiva de tê-lo em breve.
O histórico de Lopes indica uma derrota, aquela para o Operário. Mais não esconde que o Atlético ganhou só um jogo no interior, onde o futebol parece ter chegado só agora, tanto é o amadorismo.
Nesse processo de demissão do treinador, a diretoria só teve um erro, talvez fatal e que não salve o bicampeonato: demorou dois meses para concluir que o limite de Lopes esgotara no jogo contra o Botafogo, quando o rebaixamento foi afastado.
Errou por paternalismo: fez com Lopes em 2010, o mesmo que havia feito com Geninho, renovando o contrato porque o técnico salvara da queda para segunda divisão. Treinador que termina o ano como salvador não deve ficar. Para salvar, tem que chegar ao esgotamento, e para isso tem que se desgastar.
Há quem questione Leandro Niehues como solução, porque é jovem, tem pouca experiência, e ficará desconfortável numa vida ambientada pela tensão e pela paixão, como é a do Atlético.
A diretoria está absolutamente correta, porque tomou a mão de direção adotada pela maioria dos grandes clubes do futebol brasileiro. Os antigos treinadores há tempo deixaram de ser opções imediatas e prioritárias, e se transformaram em exclusões de desespero de final de campeonato.
Há exemplos significativos: no Santos, Dorival Júnior; no Flamengo, Andrade; no Vasco, Vagner Mancini; no Cruzeiro, há três anos, o melhor de todos Adilson Batista; no Grêmio, Silas, e no Palmeiras, Antonio Carlos. E há exemplo mais clássico e objetivo dessa nova ordem, do que Dunga, que assumiu a Seleção como um estranho na profissão, sem nunca ter sentado no banco, e hoje é quase unanimidade no Brasil?
Os antigos treinadores envelheceram não em razão da idade, mas da falta de humildade de voltarem à sala de aula. Não há profissional, seja qual for a classe a que pertença, que sobreviva sem se reciclar.
A busca da solução dada pelo Atlético com Leandro Niehues, ao contrário do que alguns comentários sugerem, não tem o caráter de imediatismo, ocupação improvisada de função. Estudioso, moderno, dirigindo o J. Malucelli, Leandro foi o melhor treinador do campeonato de 2009.
Se tiver o apoio que eventual treinador de ponta teria, será um sucesso. É um jovem sem vícios, estudioso, com o sonho e o ideal de ser um grande treinador, e já no clube que lhe é caro, o Atlético. Bem escreveu Fernando Pessoa: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.



















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