29/06/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 28/06/2009 às 23:47:43

Simplório

A vida nos dá conforto quando participamos de um grupo de virtuosos. Se o comandamos, nossa missão de sucesso se torna mais acessível. Mas aumentamos o nosso orgulho de vitória, se tratarmos com limites e dificuldades. No futebol não é diferente: é bem mais cômodo organizar um time com Alex Mineiro do que com Rafael Moura.

Bem por isso, um bom técnico não é necessariamente aquele que organiza um time tendo como base as virtudes dos jogadores. Nessa situação, a sua influência se confunde e até é absorvida pelas virtudes de quem o comanda.

Mas um bom técnico, é aquele que necessariamente sabe lidar com limites, tratar com deficiências e, através do trabalho, buscar a compensação pela falta de qualidade individual.

Não conheço Lemos e nem pretendo conhecê-lo. A crítica, qualquer que seja a sua natureza, fica isenta e justa, portanto mais saudável. Nas vitórias do Atlético sobre o Sport (1 a 0) e Corinthians (1 a 0), e o empate com o poderoso Palmeiras (2 a 2), a causa imediata e indissociável dos resultados, foi o trabalho do treinador rubro-negro. De 9 pontos disputados, 7 foram ganhos.

Lemos não fez e não faz nada demais. É uma pessoa normal, e é aí que reside a sua grande virtude, pois as pessoas normais sabem lidar com seus limites e os limites dos outros. Desde que assumiu, fez o que Geninho deveria ter feito: consciente de que tem um time limitado, tratou agrupar os jogadores em campo. É princípio elementar que os espaços diminuídos entre um e outro jogador, reduz o risco de erro, o campo de trabalho do adversário, e aumenta o poder de concentração.

Na vitória sobre o Corinthians, o Atlético foi brilhante no aspecto tático. Já tinha sido no empate com o Palmeiras. O resultado de um time organizado dentro dos seus limites, tem influência na individualidade de cada jogador. Chico, Rhodolfo e Antônio Carlos voltaram a jogar bem, Valencia ganhou mais folga para proteger, cobrir e liberar Paulo Baier.

Pode parecer retranca, mas não é. É um projeto que compensa as deficiências individuais. Só não se torna moderno, porque é impossível modernizar alguma coisa com Rafael Moura no ataque. O retorno de Wallyson, com o menino Patrick, pode acelerar essa reação do Furacão.

De primeira:
O dia que Galvão Bueno não narrar mais pela Globo, a seleção do Brasil será outra. O nosso povo se acostumou em acreditar no que ouve e não no que vê.

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