27/11/2008 às 00:42:31 - Atualizado em 27/11/2008 às 00:41:09

Uma história

Se o Coritiba não ganhar do Vasco, no Couto Pereira, e se o fracasso repercutir na situação do Atlético, a rivalidade histórica vai assanhar os coxas, de que o resultado não foi voluntariamente natural. Não será verdade, mas dirão. E os atleticanos, como todos os passionais, podem até não acreditar, mas irão exclamar: “Os coxas entregaram”.

Esse ambiente de ironia e desconfiança, me fez lembrar de um fato ocorrido em 1985. Se ganhasse o 2.º turno, o Atlético seria o campeão direto do Estado daquele ano. Já havia ganho o 1.º turno. Do contrário, haveria um quadrangular. O Coritiba já estava eliminado.

Na penúltima rodada, o Atlético jogou à tarde e não ganhou em Apucarana. Bastava, à noite, no Couto Pereira, o Pinheiros ganhar do Coritiba para vencer o 2.º turno e provocar uma final. Angustiado, retornava de Apucarana com o então presidente Valmor Zimermann, no carro do atleticano Onaireves Moura. Quase chorando, perguntei: “E agora, Valmor?”. “Espere e veremos”, respondeu.

Noite fria no Couto Pereira. Os coxas gritavam “entreguem, entreguem”. Comovido pelo apelo da torcida, o grande Evangelino Costa Neves reuniu os jogadores na boca do túnel e disse: “Sei que, acima de tudo, está o moral de todos os profissionais. Mas a vontade da instituição é que o Pinheiros ganhe o título”.

De repente, se tem um jogo jogado, mordido, cavado. Os jogadores do Coritiba pareciam já se preparar para o título brasileiro, que o clube ganhou naquele ano. E 0 a 0, e a torcida coxa insistia: “Queremos o Pinheiros campeão. Entreguem”.

Quando parecia inevitável um gol do Pinheiros, para acalmar os coxas, eis que o ponta-esquerda Edson Gonzaga chuta da entrada da área, no ângulo de Toinho: Coritiba 1 x 0 Pinheiros. O Pinheiros, se não me engano, acabou empatando o jogo.

Mas não adiantou, porque no domingo, na última partida na velha Baixada, entupida por 20 mil rubro-negros, antes da desventura do Pinheirão, o Atlético ganhou do Londrina por 3 a 0 e foi campeão. Carneiro ainda gritava: “É disso que o povo gosta”, e o fez em dois gols de Camargo e um de Dicão.

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