10/10/2008 às 00:00:00 - Atualizado em 09/10/2008 às 22:56:58
Os outros
Juvenal trabalha há quase 20 anos na 6.ª Vara Cível de Curitiba. Um belo exemplo de servidor público.
Juvenal é coxa-branca. Bem por isso, um dia desses me perguntou: por que razão você não escreve sobre o Coritiba, e por que quando escreve, faz críticas?
Presumem todos os coxas, é porque a vitória do Coritiba me causa desconforto. Com sinceridade, respondo que esse não é o motivo, porque aí trocaria a paixão pela parcialidade. E parcial não sou.
Tenho um gravíssimo defeito, que não é inerente ao jornalista com essa formação específica. Sobre a minha de jornalista, sobrepôs a de advogado, que exerce influência da análise crítica aos fatos. O exercício da advocacia obriga a contrariar, a prevenir e a combater.
Por isso, às vezes, essa minha formação induz a escrever sobre fatos negativos, por exemplo, os fracassos do Atlético, quando, como jornalista, teria que dar preferência a fatos positivos, por exemplo, a grande campanha dos coxas.
Explicação
Ontem, li uma notinha que os irmãos Malaquias acenam com uma boa recompensa ao Coritiba, se liberar o jogador Keirrison em dezembro de 2008, e não em abril quando extinguindo-se o vínculo desportivo.
Conto a razão porque os empresários querem que Keirrison saia em dezembro. O jogador e seus empresários assinaram um contrato com a Traffic, em que se obrigam a ceder 30% dos direitos sobre o vínculo. O valor foi de R$ 4,4 milhões. A Traffic pagou R$ 2,2 milhões e condicionou o pagamento da outra metade na hipótese de não surgir nenhuma proposta do exterior, que adquiria a integralidade dos direitos (100%).
Se esse fato não ocorrer até dia 1.º de novembro, a Traffic vai pagar a outra metade e Keirrison irá assinar o pré-contrato permitido pela lei, faltando 6 meses para terminar o vínculo. A Traffic expressou que se responsabiliza pela parte do Coritiba.
Ocorre que os Malaquias e os Massa (Ratinho e Gabriel) se acertaram na dissolução da sociedade. Os Malaquias pagaram R$ 400 mil aos Massa e ficaram com os 40% que esses haviam adquirido do Cene (MS), clube de origem.
Surge agora uma dúvida: qual é a participação do Coritiba?
Os Malaquias dizem que é de 20%. O Coritiba diz que é de 100%. Existe um processo sobre isso na 19.ª Vara Cível. A situação jurídica do Coritiba ficou melhor. Não se discute mais os direitos sobre o contrato de Keirrison, mas os direitos sobre a indenização que a Traffic pagou e vai pagar.
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