28/06/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 27/06/2009 às 23:29:17
Ao mestre, com carinho
Tem pessoas na vida da gente que são eternas. Mesmo depois que elas se vão, ficam na lembrança e continuam merecendo o mesmo carinho e o respeito que mereciam em vida. Quando o caixão baixou a sepultura, guardando para sempre o corpo do professor Carlos Danilo Costa Cortes, na manhã de 5 de junho passado, ensolarada, de céu muito azul e bastante fria, uma leva de jornalistas suspirou de saudade. Saudade da juventude, da faculdade, das lutas para ser reconhecido na profissão e é claro, do professor Danilo, um idealista, bem-humorado e responsável pelo início de carreira de muito cara bom, que está aí até hoje.
Fui uma dos que começaram a sentir o cheiro da tinta de jornal pelas mãos do professor. Garota ainda, ingressei na Universidade Federal do Paraná para o curso de Jornalismo. A turma era de homens barbudos e adultos. Eu mal começava sair da adolescência e me via assustada diante daquelas “feras” que eram meus colegas de “facu”. Gente culta, politizada (era final da década de 70, ainda vivíamos sob o jugo da repressão política), que discutia com os professores de igual para igual. Um mundo completamente novo para mim, que até então só conhecia a realidade do Colégio Estadual Professor Lamenha Lins, onde fiz o antigo ginásio e o curso técnico de Secretariado Executivo.
Em meio a professores que raramente sorriam, como o Hélio e o Crippa, estava o coordenador do curso de Jornalismo, o Danilo. Rechonchudo, de pele lisa, quase careca, com bochechas proeminentes, mais sorridente que os demais e que observava as turmas e os alunos que se destacavam. Sempre generoso, procurava arrumar trabalho para o pessoal, pois mesmo sendo a faculdade gratuita, a grana era curta pra todo mundo.
Lembro muito bem do dia em que o professor Danilo me convidou para ir trabalhar no extinto Diário do Paraná, um jornal que marcou época e fazia parte dos Diários Associados de Assis Chateaubriand. Era meados de 1979. Com certeza me achei a última “bolachinha do pacote”. Com tanta gente boa na faculdade, ele escolheu justamente a mim. Também fez o convite para Rachel Jorge Moises (colega querida que não vejo há anos), e ela aceitou de cara. Lá fomos nós, galgar os primeiros degraus de uma carreira apaixonante e exigente. Ah, o professor Danilo era diretor do jornal e isso facilitava as coisas.
Foi ali, me agarrando nesta oportunidade, que datilografei minhas primeiras matérias e mostrei que estava chegando para ficar. Transcorridos 30 anos, a emoção de fazer jornalismo é a mesma, igualzinha àquela das primeiras reportagens. E o reconhecimento ao professor Danilo também é o mesmo. Digo “muito obrigada por tudo”, com a mesma gratidão com que falei pela primeira vez, ao apertar sua mão e aceitar ser repórter do Diário do Paraná.
Valeu, professor!
PS - Pois é professor, depois de tanta luta, na semana passada o Supremo Tribunal Federal decidiu, numa canetada, acabar com a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Uma atitude descabida, infeliz e retrógrada.
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