18/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 17/03/2010 às 20:12:15

O novo sotaque coxa

Muita gente protestou. Não poderia o Coritiba, maior ganhador da história do futebol paranaense em todos os tempos, escolher como sede provisória uma cidade fora do Estado do Paraná.

Concordo, em tese. Ideal seria se, impedido de atuar em seu estádio por conta de decisão jurídica, que o Coxa fosse abrigado por uma cidade em seu próprio território, fortalecendo as raízes e o relacionamento dentro dos limites de nossas próprias fronteiras. E até acredito terem sido essa a primeira linha de ação da diretoria do clube ao pesquisar locais para o mando de dez jogos no campeonato brasileiro da segunda divisão.

Só que, infelizmente, o Paraná não oferecia condições condizentes com as necessidades coxas. Paranaguá teria sido uma beleza não fossem aqueles oito quilômetros a menos que a distância mínima exigida entre as praças para possível transferência de mando. Por mim (e aí nem como pontagrossense que sou) teria votado em Ponta Grossa, que oferece uma viagem de deslocamento rápido e seguro e com boa presença de torcida alviverde na região. Mas a ideia – que foi considerada pelo Coritiba – não evoluiu, pois o estádio requeria alguns ajustes e não houve ninguém para considerar a possibilidade de executá-los. Não seria o caso de representantes da cidade terem procurado o clube para oferecer alternativas de utilização do estádio? Nem digo a prefeitura, pois estamos em ano político e as restrições são complicadas. Mas a comunidade local poderia ter se unido em torno de uma iniciativa que só traria retorno positivo à cidade, projetando na mídia nacional sua pujança e suas belas atrações turísticas.

Não deu, ninguém ao menos propôs conversar sobre o assunto. Londrina e Maringá estão com seus estádios interditados e, ainda que não estivessem, não seriam locais adequados para abrigar o Coritiba, que, algoz durante muito tempo dos times de lá, não está entre os mais queridos. Além da grande distância a impedir o frequente deslocamento da torcida coxa aos jogos.

Joinville será, portanto, a nova base. Viagem curta, pedágio barato e um razoável número de simpatizantes pela região. Com trabalho de marketing e boa cabeça nesses quase dois meses que ainda restam pela frente, o Coxa pode muito bem conquistar novos adeptos pela redondeza e receber o carinho adequado para poder disputar amparado e seguro a dureza que vai ser essa segunda divisão.

Pela maneira como os dirigentes do clube foram recebidos pelas autoridades locais e pela estreita ligação que já existe entre Joinville e Curitiba é de se imaginar o melhor para essa parceria que se estabelece agora, independente de uma linha de fronteira estadual que se interpõe entre as partes. O máximo que vai acontecer é os jogadores coxas sentirem um sotaque um pouco diferente no incentivo ao time dentro de campo.

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