09/02/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 08/02/2010 às 20:25:07
Boca fechada
Estamos devendo, precisamos fazer melhor a nossa parte.
A mídia tem muito disso, é auto-suficiente. Basta ganhar um espaço aqui ou ali que qualquer um já se acha no direito de fazer valer sua opinião, por menos respaldo que tenha em assuntos bem mais profundos do que aparentam. Muitos são aqueles que impressionam pelo conhecimento acumulado de datas, nomes e fatos e que ganham espaço por isso. Mas daí abrem o verbo e se dão ao direito de ditar cátedra, como se tivessem rodagem considerável na profissão.
O clássico de domingo passado serviu de exemplo para escancarar o nosso descaso com as informações básicas para o exercício da profissão. Confesso que também não sou dos mais aplicados, deveria me aprofundar mais (também nas regras do futebol), mas desta vez sinalizei na hora, durante a transmissão da CBN, o acerto do apitador ao mandar seguir o lance da tal falta cobrada pelo zagueiro paranista em cima do adversário.
Para quem não sabe, foi assim. Diego Correia, do Paraná Clube, tinha uma falta para cobrar, mas o Chico, do Atlético, ainda estava muito próximo do local da cobrança, embora dali se afastando. Diego não esperou e bateu, de propósito, a bola em cima de Chico (talvez querendo provocar um cartão amarelo ao oponente) e o árbitro mandou seguir, mesmo com a posse de bola do Atlético, originando dali o gol da vitória rubro-negra.
Não estava a 9,15 metros do lance – espernearam alguns dirigentes, respaldados pelo protesto de parte da imprensa, provocando a indignação da torcida paranista. Não importava. Ao bater a falta com pressa, o zagueiro paranista abriu mão do direito de exigir a distância regulamentar do adversário. Ou como diz a decisão da Fifa, “se um jogador decidir executar um tiro livre rapidamente e um adversário que está a menos de 9,15 metros de distância da bola, a intercepta, o árbitro deverá permitir que o jogo continue”. E assim se fez. E aí nem é caso de interpretação, conforme o lance. É na batata, segue o jogo.
Precisamos ter mais cuidado com o que dizemos ou escrevemos. Não somos infalíveis nem completos nem perfeitos. Longe disso, erramos demais e com isso conduzimos a opinião pública a certas situações que não deveriam acontecer. Dia desses eu disse em uma transmissão dessas ter vindo um jogador lá do interior de São Paulo, onde fez sucesso. Não era ele, fui discretamente corrigido em seguida e retifiquei a informação. Melhor teria sido se nada tivesse dito do que falar sem certeza ou sem pesquisa. Em boca fechada não entra mosca – já dizem há muito tempo.
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