27/10/2009 às 00:00:00 - Atualizado em 26/10/2009 às 20:09:25
Depredações
Estavam lá, expostos, escancarados à opinião pública, os frutos nocivos do Atletiba de domingo. Ônibus e mais ônibus danificados, depredados, inutilizados pelos vândalos travestidos de torcedores nos tantos confrontos de domingo que nada tinham a ver com a bola rolando no Alto da Glória. Foram 28, ao todo, informaram as autoridades.
E isso porque houve reunião das forças policiais com os representantes das torcidas organizadas e todos acordaram pela paz. E cumpriram, pelo que se sabe. A questão principal é o foco do policiamento nos dias de clássico. O alvo de maiores cuidados não têm de ser, necessariamente, as torcidas organizadas. Embora não sejam compostas por, digamos, anjinhos e nelas também estejam infiltradas pessoas da má índole que se utilizam apenas do jogo de futebol como uma cortina para promoverem a violência e o que mais de ruim se possa imaginar, são regidas por certa disciplina interna que tenta coibir esses exageros descabidos. Há casos, claro, mas isolados e bem distantes dos tantos registrados nesses domingos de baderna.
Na maioria das vezes, pelo que se sabe dos responsáveis pela fiscalização do cumprimento da lei e da ordem, os confrontos e as badernas se originam de disputas entre gangues de periferia, que se camuflam de torcedores para poderem agir às claras e tirar proveito da impunidade para casos desse padrão.
E aí está o ponto crucial, a impunidade. Os mesmos arruaceiros desse domingo certamente estavam envolvidos em balbúrdias anteriores e mesmo os que foram detidos anteriormente em nada pagaram pelos atos que praticaram, pelos prejuízos que causaram, pelos danos que provocaram. E é aí que eu gostaria de poder entender. Quer dizer que se eu sair daqui agora com um tijolo na mão e arremessá-lo contra um veículo qualquer não há o que possa temer de represália? Ficaria por isso mesmo? Dano ao patrimônio público (ou privado, conforme a ocasião) não é crime, então?
Esse não é apenas um retrato do futebol brasileiro ou especificamente do paranaense. É, sim, infelizmente, um quadro escancarado da realidade nacional, um perfil hiante do País em que vivemos e no qual dezenas de ônibus são incendiados por razões diversas, laranjais são destruídos por razão nenhuma e não se ouve falar em nenhuma prisão, nenhuma reprimenda, nada de nada.
Pois enquanto for assim e o Brasil não tomar jeito, muitas a muitas vezes ainda teremos ônibus e pedaços de ônibus expostos em praças públicas a cada novo clássico. Por mais que controlados e disciplinados estejam os torcedores presentes nos estádios ou ali pelas cercanias. O problema é outro, que apenas se utiliza do futebol, mas que ninguém parece (ou quer) perceber.
Walmart
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