20/11/2008 às 00:00:00 - Atualizado em 19/11/2008 às 22:40:14

O contraponto

Mal o conheço. Tive até a oportunidade de cumprimentá-lo, de passagem, na chegada à Vila Capanema para transmitir Paraná Clube x CRB para o SporTV. Estava por ali, conversando com alguns repórteres, quando passei rumo à cabine de transmissão e troquei algumas palavras. Nada mais que isso.

Mas sabia estar ali o mais importante personagem da história do Paraná Clube nessa temporada. Certo que não esteve entre as mais alegres da vida do clube, mas pelo menos veio o alívio final com a confirmação da permanência do time na Série B do campeonato brasileiro. Um triunfo, afinal, após tantas semanas de tensão por ameaça de rebaixamento à terceira divisão.

Refiro-me ao presidente Aurival Correia, é claro. Resistiu até o fim e não caiu na tentação de ceder aos impulsos passionais para tentar montar um “kit de sobrevivência” contratando alguns “boleiros” rodados para a emergência de não ser rebaixado. Seria fácil trazer um daqui, outro dali, prometer mundos e fundos e depois não pagar. É uma infeliz regra do futebol brasileiro, sobre a qual conversamos dia desses aqui neste espaço, tendo como tema os quatro meses de atraso que o Botafogo tem com seus jogadores. Contrata-se primeiro e depois é que se vê como (e se) pode pagar.

Correia foi o contraponto de tudo isso, coerente com seus princípios. Elegeu-se sob a bandeira de sanear as finanças de um clube atolado em dívidas e não arredou pé de sua posição. Pagaria o preço de erros alheios se não houvesse como escapar do rebaixamento, mas foi justamente poupado pelo destino para que seu trabalho pudesse ser reconhecido.

O Paraná Clube sofreu, mas reencontrou o rumo e permanece na segunda divisão e para isso não teve de novamente se entupir de dívidas. Está pronto para começar a planejar uma nova temporada, evitando os deslizes cometidos no início da atual, especialmente no critério da contratação de jogadores. Por razões que não vêm ao caso, abriu mão de uma parceria que funcionava a contento (e que levou o clube à inédita participação na Libertadores) para tentar vôo próprio, imaginando um retorno financeiro mais importante que a manutenção de uma boa equipe. Os parceiros foram se abrigar no Avaí e subiram à primeira divisão, enquanto os tricolores, por aqui, penavam a cada nova rodada do campeonato.

Terça-feira, após a goleada sobre o CRB, parte da torcida manifestou seu descontentamento com a campanha da equipe chamando o time do Paraná Clube de “sem-vergonha”. Injustamente, diga-se, pois sem-vergonha era aquele outro time, o que se afundou em pontos perdidos no primeiro turno do campeonato. Aquele que estava saindo de campo foi valente e raçudo, disputando cada dividida para tentar (e conseguir) sair do buraco que herdou dos outros. Não mereciam ouvir aquilo, embora se entenda ter sido mais abrangente o protesto do torcedor.

Aquele time era o dos outros, montado sob critérios não muito bem claros. Esse time que livrou o Paraná Clube do pior é o do presidente Aurival Correia, com gana, vontade e pés no chão para tentar (e conseguir) o máximo, com a segunda melhor campanha do segundo turno, apenas atrás do Corinthians. E que já oferece uma base razoável para a próxima temporada, que, com certeza, não será mais tão sofrida assim.

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