10/10/2008 às 00:00:00 - Atualizado em 09/10/2008 às 22:44:20
Conversa vazia
Há certos discursos muito cansativos no futebol. Nem quero me referir aos lugares-comuns utilizados pelos jogadores em suas entrevistas, nada disso. Sabe-se que a origem está na falta de melhores recursos culturais e também à mesmice das perguntas de nossos repórteres. Mas não é esse o caso.
A questão está nas insistentes reclamações dos treinadores (quase sempre eles, de vez em quando algum dirigente ou jogador) sobre as arbitragens. E nisso Vanderlei Luxemburgo é campeão. Trata-se de um técnico diferenciado, reconheço, todos reconhecem. Está acima da média do profissional brasileiro por sua competência e discernimento na armação das equipes que dirige. Mas tem o péssimo costume de direcionar às arbitragens as causas de possíveis tropeços de seu time – no caso atual, o Palmeiras.
Foi assim na partida de quarta-feira, em Florianópolis. O Palmeiras foi incompetente para se manter na liderança do campeonato brasileiro por berrantes falhas de finalização – somente o lateral Elder Granja perdeu duas oportunidades cristalinas – e na entrevista final Luxemburgo gastou um bom tempo comparando o número de faltas das duas equipes e a equivalência em cartões amarelos distribuídos pela arbitragem.
É uma tática interessante, desvio de assunto. Arte que alguns de nossos políticos executam com maestria, adequando respostas às perguntas dos entrevistadores, sem dar a mínima importância ao teor inquirido. Quando o árbitro deixa o jogo correr (apitando à sul-americana, como se diz), reclama-se pela não marcação de faltas. Quando fragmenta demais a partida a cada choque entre corpos, protesta-se pela interferência no andamento do jogo. Durma-se com um barulho desses.
Tem o Palmeiras todas as ferramentas para ser campeão brasileiro. A começar pela capacidade de seu treinador, somada à qualidade técnica dos jogadores. Mas não está absoluto, há concorrentes ferrenhos, como Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo. Que não necessitam, necessariamente, de suposta ajuda da arbitragem para atingirem o topo da classificação. E é isso que quase sempre passam as entrevistas de Luxemburgo após resultados não bem sucedidos. Ou ele ganha ou os árbitros atrapalham. E, apesar dos tantos e tantos erros registrados na competição, não há como tirar os méritos dos ponteiros, inclusive os do Palmeiras.
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