Câncer de próstata tem cura se tratado a tempo

Redação O Estado do Paraná Publicação 21/11/2007 - 00:00:35 Atualizado 19/01/2013 - 21:18:07


Apesar de sua gravidade,
o câncer de próstata pode
ser tratado, preservando a qualidade de
vida do homem.

Segunda causa de morte por câncer entre os homens, só perdendo para o de pulmão, o câncer de próstata registra 128 casos novos por dia, de acordo com estimativa do Inca - Instituto Nacional do Câncer. Só que, com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, há uma tendência ao aumento do número de casos diagnosticados na mesma proporção. Os números destas estatísticas, cada vez mais crescentes e assustadoras, nos últimos anos vêm esbarrando em um grande inimigo: a tecnologia. Isto significa que, quando detectado e tratado a tempo e de maneira adequada, o índice de cura do tumor pode chegar a 90%.

Para o representante comercial Júlio dos Reis, 50 anos, a descoberta da doença aconteceu no exame de rotina, a que se submete de dois em dois anos, desde que completou quarenta anos de idade. “Sempre fui preocupado com a prevenção e isso me ajudou a acabar com a doença, pois o tumor localizado era pequeno”, agradece. Depois de passar por uma cirurgia, no começo do ano, Reis se recupera plenamente, retomando às suas atividades normalmente. “Até já arrisquei um bate-bola com amigos”, comenta. O analista de sistemas J. R. G., de 55 anos, que também fazia os exames regularmente, ficou dois anos sem ir ao urologista. “Neste mês, começou a notar que sua ejaculação estava falhando e quando vinha, era bem pouca”, conta. Eram os primeiros sintomas do câncer, que começou a ser tratado.

Abordagem conservadora

De acordo com o radioterapeuta Rodrigo Schiffler, da Unidade de Radioterapia e Quimioterapia - Clinirad - do Hospital Angelina Caron, o tratamento vai depender de cada caso e pode ser feito com radioterapia, cirurgia ou hormonioterapia. Os fatores que definem o tipo de tratamento são muito pessoais -alguns escolhem terapias agressivas que retiram parte da próstata em torno da uretra, enquanto outros optam por abordagens mais conservadoras. O médico elege a radioterapia como uma das maneiras mais eficazes de se combater a doença. Dentre as vantagens, destaca que o procedimento pode ser realizado em sessões diárias de alguns minutos, repetidas por algumas semanas ou com colocação de sementes radioativas na próstata, o que minimiza o risco aos órgãos e tecidos vizinhos. “Além disso, apresenta baixas taxas de efeitos colaterais, como incontinência urinária e impotência sexual”, avalia.

O urologista Argos Von Linsingen reconhece que aumentou o número de homens que procuram os consultórios especializados para realização do exame diagnóstico precoce da doença. “Cada vez mais o conhecimento da doença tem sido difundido, seja pela mídia, seja pela proximidade com a ocorrência da doença, entre familiares, amigos e conhecidos”, atesta. No entanto, o médico lembra que ainda é importante incentivar os homens de meia idade a deixarem o preconceito de lado e fazerem exames para descobrir possíveis anormalidades na glândula.

Exame periódico

De acordo com os especialistas, existem três tipos de prevenção. Primária, quando se consegue determinar agentes causais ou predisponentes, e afastando-os se evita a doença. Secundária, quando o diagnóstico precoce permite que se tomem medidas curativas. Terciária, quando a enfermidade já avançada impõe apenas atitudes que evitam ou reduzam as complicações. No câncer de próstata tão somente os dois últimos tipos de prevenção podem ser acionados.

Também só é possível pensar em cura quando o tumor se encontra restrito à próstata. Tratando-se de um tumor, se a pessoa esperar para procurar o médico só quando estiver sentindo alguma coisa, talvez seja tarde demais. Daí a importância do exame periódico, uma vez por ano. “As pessoas que têm história de câncer de próstata na família devem procurar o urologista a partir dos 45 anos e aqueles não têm essa herança genética a partir dos 50”, recomenda Von Linsingen.

Para o especialista, praticamente todos os homens terão câncer de próstata se viverem o suficiente para isso. Trata-se de uma doença comum em idosos, mas a preocupação maior é com a agressividade com que ela ataca o órgão. Assim, muitos pacientes vivem vinte anos com formas lentas da doença, que tendem a ocorrer em homens mais idosos. “Nos mais jovens, a enfermidade se torna mais agressiva, tornando-se, também, mais letal”, completa.

Sintomas

Os principais sintomas relacionados ao câncer de próstata são:

* angústia;

* esquecimento;

* Presença de sangue na urina;

* Necessidade freqüente de urinar, principalmente à noite;

* Jato urinário fraco;

* Dor ou queimação ao urinar.

Fatores de risco

Assim como em outros cânceres, a idade é um fator de risco importante, ganhando um significado especial no câncer da próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumentam exponencialmente após a idade de 50 anos. História familiar de pai ou irmão com câncer da próstata antes dos 60 anos de idade pode aumentar o risco de câncer em 3 a 10 vezes em relação à população em geral, podendo refletir tanto fatores hereditários quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias.

A influência que a dieta pode exercer sobre a gênese do câncer ainda é incerta, não sendo conhecidos os exatos componentes ou através de quais mecanismos estes poderiam estar influenciando o desenvolvimento do câncer da próstata. Contudo, já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, não só pode ajudar a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não transmissíveis.

Trânsito livre

A próstata é um órgão do tamanho de uma noz, mas com consistência de uma castanha. Sua função é controlar a velocidade, força e freqüência da micção e da ejaculação. Assim, regula o fluxo de urina e do sêmen para o pênis. Se o tecido interior da próstata crescer (hipertrofia), o caminho, já estreito, torna-se ainda mais imprensado, dificultando o ato de urinar. Quando isso acontece, a bexiga não se esvazia totalmente, por isso a urina pode voltar para os rins, causando infecções e lesões.


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